Marcelo Bonfá assume os vocais para cantar “Pais e filhos”. “É meu momento mais próximo com o público, ensurdecedor, cantando comigo” (Foto: Gabriel Machado/G1 AM)
Os músicos Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos estão na estrada com a turnê “Legião Urbana XXX Anos”, ao lado de uma banda formada por amigos e que conta com a participação do ator e cantor André Frateschi. É a sequência da comemoração dos 30 anos do aniversário de lançamento do primeiro álbum da banda, iniciada em 2015.

De passagem por Juiz de Fora, onde se apresentam neste sábado (16), Bonfá conversou com o G1 sobre o momento, que une uma visita ao passado e encontro com o público, o que não ocorria  desde 1996 com a morte de Renato Russo. Turnê comemora 30 anos do disco  ‘Legião Urbana’,de 1985 (Foto: Divulgação)
“A gravadora teve a ideia de relançar e a gente sugeriu que fosse álbum duplo porque tinha outras versões antes do formato final, resultado daqueles momentos de transformação que a banda vivia no estúdio.

Algumas versões são mais viscerais, reflexo do movimento punk e do clima de protesto do contexto de 30 anos atrás. O curioso é que a resposta do público é bem parecida com a daquela época.

Sei do público apaixonado por rock que nos espera em Juiz de Fora e vai ser ótimo”, disse.
No álbum, estão sucessos como “Será”, “Ainda é cedo”, “Geração Coca-Cola”, entre outros.

Músicas que são cantadas atualmente com o mesmo clima de questionamento, como lembra Bonfá, ao analisar as semelhanças entre o país em meados da década de 1980 e atualmente.
“A gente continua sendo trilha sonora deste tipo de contestação, porque muitas coisas ainda não foram resolvidas.

Algumas coisas se repetem, mas nos anos 80, a gente era mais ingênuo e acreditava. Hoje é inevitável a transformação, tem mais gente sabendo.

Mas acredito que são os momentos de crise que causam a transformação que fazem a gente ir para frente”, comentou. “É uma catarse”, diz BonfáNa estrada desde o ano passado, o baterista de 51 anos leva para o palco a experiência de quem se tornou pai e avô, o que permite entender o reencontro com os fãs antigos e o encontro com novos admiradores do Legião Urbana.

“Estamos mais velhos, assim como as pessoas que nos conheceram quando a banda se formou. Agora, como pais, mães e avós elas querem reviver ao lado dos filhos de 10 e 11 anos.

A gente fez em torno de 30 shows e tem sido muito divertido. Muito parecido com o que a gente fazia com o Renato.

Ele tinha um carisma no palco muito grande e esta força está na nossa música. Por isso o show tem uma energia tão alta quanto naquela época.

As pessoas cantam por 2h, do início ao fim, é uma catarse, uma coisa muito louca”, comentou. O ator e cantor André Frateschi se reveza nos vocais com Bonfá e Villa-Lobos na turnê (Foto: Gabriel Machado/G1 AM)
A participação de André Frateschi na turnê é resultado de uma longa relação, iniciada na turnê em 1985, quando ele tinha 10 anos e ia acompanhar Dado, Renato e Bonfá, na dobradinha entre a banda e a peça de teatro “Feliz Ano Velho”, protagonizada na época pela mãe dele, a atriz Denise Del Vecchio.

“Ele era um garoto e hoje está aí, uma pessoa incrível, um supertalento com quem temos uma relação bacana de respeito, de profissionalismo. Por isso, criamos este conceito, que fez com que a gente esteja junto neste projeto”, explicou.

Durante o show, há um revezamento nos vocais. Bonfá assume o comando da multidão, estando ou não na bateria, para “Ainda é cedo” e “Pais e Filhos”.

“Em ‘Pais e Filhos’ o André assume a bateria. É divertido porque eu tenho meu momento mais próximo com o público, ensurdecedor, cantando comigo.

E é uma música muito marcante, com uma mensagem forte de que precisamos amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, destacou.
As pessoas se identificam com as mensagens das canções.

Já perdi a conta de quantas vezes me disseram que as músicas foram feitas para ela ou foram a trilha do momento em que encontraram namoradas e namorados. Já vi nas redes sociais frases atribuídas ao Renato Russo que não estão em nenhuma das letras, o que acaba sendo engraçado”
Marcelo Bonfá
Outra situação constante na vida de Marcelo Bonfá é encontrar alguma pessoa com alguma história relacionada à Legião Urbana.

“Ouço o dia inteiro, porque as pessoas se identificam com as mensagens das canções. Já perdi a conta de quantas vezes me disseram que as músicas foram feitas para ela ou foram a trilha do momento em que encontraram namoradas e namorados.

Já vi nas redes sociais frases atribuídas ao Renato Russo que não estão em nenhuma das letras, o que acaba sendo engraçado”, disse. Próximo projetoParalelo à turnê, o baterista prepara o lançamento do próximo álbum solo, inspirado por outra paixão do músico: a produção da cachaça ‘Perfeição’ em uma fazenda no povoado de Santo Antônio do Rio Grande, em Bocaina de Minas, no Sul do estado.

“Neste ano ainda lanço o ‘Música de Alambique’, que produzi junto com meu filho, João Pedro, e terá convidados como Zeca Baleiro e Seu Jorge. Eu nasci no interior de São Paulo e este trabalho une a música e meu gosto pelo universo rural.

As dez canções falam de uma forma divertida da cachaça, de sustentabilidade e do contato com a natureza”, explicou.
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