Diante do impacto da situação política na economia, o empresariado em Juiz de Fora não tem o que comemorar, é a análise do Centro Industrial (Foto: TV Integração/ Reprodução)
Indefinição política, impactos na economia, redução e enxugamento de custos na indústria. Diante do atual quadro brasileiro, o Centro Industrial de Juiz de Fora (CIJF), que representa 12 sindicatos da indústria local, anunciou o cancelamento da realização da programação da Semana da Indústria em 2016, quando a instituição comemora 90 anos de existência. “O empresariado não está com espírito para festa enquanto não houver um indicativo de mudanças positivas para o setor”, disse o presidente Leomar Delgado ao G1.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Renda enviou nota com o posicionamento sobre as perspectivas para a cidade. Na quinta-feira (27), a pasta trocou de titular.

O administrador e economista André Zuchi pediu para deixar o cargo que ocupava desde 2013. Ele foi substituído pelo empresário João Matos.

O Governo de Minas também enviou nota apontando iniciativas em andamento para fortalecer o setor na cidade e na região. DadosA Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Renda destacou que Juiz de Fora apresenta um setor industrial diversificado, com arranjos consolidados, como o setor metalmecânico, que representa cerca de 30% da produção econômica local.

Outros setores, como os de alimentos, gráfico, têxtil-confeccionistas, de embalagens, farmoquímico, que representam, aproximadamente, 3% cada um.
De acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2014, que constam na pesquisa econômica da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) Regional Zona da Mata, a cidade possui 2.

391 indústrias que empregam 29. 493 pessoas, sendo que 20.

741 trabalham nas 12 atividades das 1. 423 indústrias de transformação.

Em seguida, estão os 8. 619 trabalhadores das 954 empresas da construção civil.

E as 14 indústrias da área extrativa mineral são responsáveis por 133 vagas.
Já conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) referente ao mês de março, aponta que a indústria, nas áreas extrativista mineral, de transformação, da construção civil e dos serviços industriais de utilidade pública, gerou 1.

031 vagas, mas fechou 1000 postos. Até agora, em 2016, de todas estas áreas, apenas a construção civil conseguiu gerar saldo positivo de vagas: 49 após 1.

335 contratações e 1. 286 demissões.

Sem motivo para festaA Semana da Indústria é tradicionalmente realizada pelo Centro Industrial no final de junho, com palestras, reuniões, eventos em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), missa e a festa com as homenagens às empresas e personalidades.
Em nota divulgada no dia 25 de abril, o Centro Industrial explicou que a diretoria decidiu de forma unânime porque, com a indústria sofrendo profundas perdas, demitindo funcionários e fechando portas, a busca por patrocínio e a realização do evento “seria descabida e uma grande irresponsabilidade”.

 
“Está todo mundo encolhido, sem saber o que fazer. Quanto mais demorar a indefinição política, pior será para o setor, porque está enxugando quadro e gastos e chegou ao ponto de não ter mais o que tirar.

É uma situação muito grave porque não há clima, não dispomos de recursos, teríamos que buscar através de patrocinadores e parceiros, que também não têm condições”, ressaltou Leomar Delgado.
Buscar alternativas para aquecer o setor será a principal pauta visando às eleições municipais.

“Sobre a situação local, será um ano de muito trabalho, muita conversa, muita busca de entendimento com os pré-candidatos e candidatos para descortinar estas pautas”, explicou.
A meta é retomar a Semana da Indústria em 2017.

“Devemos começar a planejar isso no segundo semestre, aguardando já alguma direção mais concreta sobre o quadro politico no país. Não faremos festa nos 90 anos, mas esperamos celebrar os 91”, disse Leomar Delgado.

Perspectivas, segundo a PrefeituraEm respostas aos questionamentos do G1, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Renda destacou que a indústria local sofre com o impacto negativo nacional nas expectativas econômicas e na realização de investimentos produtivos. E que houve leis de incentivo e redução da burocracia para facilitar novas empresas, especialmente de empreendedores locais, para elevar a competitividade do município.

Após o prejuízo ao desenvolvimento da Zona da Mata mineira no período de 2005 a 2009, causada pela Guerra Fiscal com o estado do Rio de Janeiro, a Secretaria destacou que a cidade buscou uma reação, através de esforço conjunto entre Prefeitura, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), entidades empresariais e o Governo de Minas.
“A partir de então, com a ajuda do estado, Juiz de Fora se tornou mais competitiva na atração de investimentos.

Considerando apenas os que, de alguma forma, passaram pela Prefeitura, o município contabilizou, nos últimos cinco anos, investimentos da ordem de, aproximadamente, R$ 1,5 bilhão”, destacou a nota. Estrada vai ligar Aeroporto Regional à BR-040(Foto: Reprodução/TV Integração)
Neste contexto, ganha relevância o Aeroporto Regional da Zona da Mata, que aguarda a conclusão da obra de acesso para que os municípios vizinhos possam explorar o potencial do equipamento ao se tornar uma opção de serviço e transporte para região.

“Percebemos a oportunidade de transformá-lo em uma Aerotrópole regional que, conectada operacionalmente ao aeroporto municipal, eleva a competitividade logística observada na região. Quanto ao novo acesso, que está em fase final de implantação, permitirá construir um corredor de desenvolvimento, capaz de ligar o aeroporto ao Distrito Industrial e à região alta da cidade de Juiz de Fora, onde estão localizadas a indústria tecnológica do município, de forma rápida e segura”, informou a  Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Renda.

Prioridades, segundo o EstadoEm nota enviada ao G1, o Governo de Minas informou que foi instalado neste ano o Colegiado Executivo do Território Mata, durante a Etapa Devolutiva do Fórum Regional de Governo realizada na cidade para definir as prioridades da região.
Segundo o texto, em maio, Juiz de Fora e o território da Zona da Mata serão beneficiados pela regionalização do Fórum Permanente Mineiro das Micro e Empresas de Pequeno Porte (Fopemimpe), sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE), que pretende fortalecer os pequenos negócios em Minas Gerais.

O Grupo de Trabalho da Zona da Mata está concluindo os trabalhos de verificação e padronização dos benefícios tributários e de medidas para aumentar a competitividade da região frente a outros estados, sobretudo o Rio de Janeiro. Segundo a assessoria, o resultado deve ser divulgado em breve.

Sobre o Aeroporto Regional, o governo do estado destacou que as obras do acesso ao Aeroporto Presidente Itamar Franco têm previsão de conclusão no final deste ano. O Aeroporto Regional também é citado como exemplo de Parcerias Público-Privadas (PPP).

Outro exemplo foi a contratação de consórcio de empresas privadas para implantar, gerenciar, operar e realizar manutenção de seis postos das Unidades de Atendimento Integrado (UAI), incluindo a unidade de Juiz de Fora.
O governo do Estado destacou que empresas em Juiz de Fora podem ser beneficiadas pelos financiamentos à iniciativa privada realizados pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e o atendimento ao empresariado realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Integrado (INDI), que engloba todos os municípios mineiros, além do programa JucemgDigital, para agilizar abertura online de novas empresas.

O estudo da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) apontou que Juiz de Fora é a terceira cidade em criação de empresas, com 296 fundadas apenas no primeiro trimestre de 2016. Por outro lado, 256 empresas fecharam as portas neste mesmo período.

(veja na matéria acima)
Ainda segundo o Governo do Estado, Juiz de Fora está na lista dos 13 municípios com distritos industriais selecionados como prioritários no Programa de Revitalização e Modernização de Distritos Industriais. A meta é interiorizar as ações de progresso e fomentar e dinamizar a economia mineira.

Para isso, o trabalho avaliou as principais potencialidades e os setores produtivos, além das necessidades de infraestrutura.
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