Atravessadores estariam repassando valores altos aos vendedores na capital (Foto: Alexandre Brito)
O período chuvoso no Amapá está incidindo novamente no preço de um dos produtos mais consumidos pela população, o açaí. O “vinho da Amazônia” está sendo encontrado na maioria dos locais de venda em Macapá por valores que variam de R$ 12 a R$ 20 o litro.
De acordo com os batedores, que compram o fruto para extrair o suco, o alto valor do produto é cobrado pelos atravessadores.

Na orla do Santa Inês, um dos principais pontos de chegada do açaí na capital, o valor da saca varia, e ultimamente, está com o preço mínimo de R$ 150, podendo chegar a até R$ 200. Essa diferença é repassada ao consumidor, contam eles.

Ângelo Márcio, batedor de açaí em Macapá(Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
A justificativa dos fornecedores para o alto preço do açaí, e que as chuvas nas regiões ribeirinhas do estado dificultam a retirada do produto, e que além disso, nessa época a oferta do produto diminui. Com o fim do inverno, em junho, a tendência é a redução nos preços.

“Quando chove fica mais caro, pois os fornecedores dizem que fica mais difícil e arriscado subir no pé de açaí. Então eles aumentam o preço, mas não podemos fazer nada, dependemos deles para vender aqui”, conta o batedor de açaí Ângelo Márcio.

Para o professor César Ferreira o preço ainda cabe no bolso, mas o produto não está mais na mesa todos os dias. “Não, uma vez ou duas vezes por semana, se não pesa no orçamento, que já está difícil”, disse o professor.

Vicente Cruz, diretor do Procon Amapá(Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) do Amapá, a prática é abusiva, pois mesmo com a entressafra os valores estariam sendo altos. No entanto, o órgão alega ter dificuldade em atuar no caso pois muitos dos fornecedores vêm do estado do Pará.

“Estamos montando uma estratégia para fazer um trabalho educativo com aqueles que fazem a compra desse produto na rampa do Santa Inês, e com os estabelecimentos, para que esses preços praticados com uma variação abusiva sejam evitados”, adiantou o diretor do Procon, Vicente Cruz.
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