Mensagens de Whatsapp mostram um dos líderes de uma quadrilha que aplicava golpes para obter o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículo Automotor (DPVAT) convidando um motorista do Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba para participar da fraude. O suspeito oferece R$ 700,00 para cada corpo indicado pelo funcionário, que nega a oferta. A conversa foi divulgada pela Polícia Civil do Paraná.

Nesta terça-feira (26), a Polícia Civil deflagrou a Operação Ressureição. Segundo as investigações, os suspeitos falsificavam documentos para obter a indenização paga pelo DPVAT para famílias de vítimas no trânsito.

Doze pessoas foram presas temporariamente.
O esquema funcionava com a ajuda de funcionários do IML que passavam informações antecipadas e sigilosas de pessoas que morreram em acidentes ou de mortes naturais.

Na conversa, o suspeito que, de acordo com a polícia, chama-se Tiago Alcaide Ferreira, pede discrição e chama o servidor para trabalhar com ele. Imagem mostra conversa entre um dos líderes da quadrilha e um funcionário do IML (Foto: Divulgação / Polícia Civil )
Ele diz que tem “uns esquemas muito bons de levantamento”.

Ferreira fala que pega de quatro a cinco corpos por dia e que tem um bom informante. Diz ainda que paga R$ 700,00 para cada corpo indicado pelo funcionário.

O servidor recusa. Ele afirma que respeita o trabalho realizado, mas que tem compromisso e responsabilidade com a instituição que trabalha.

Em uma ligação telefônica, segundo a polícia, outro integrante da quadrilha negocia com Waldiz José Czir, que também é motorista do IML. Eles discutem uma forma para conseguir acionar o DPVAT de uma vítima de acidente.

Luciano Ferreira: eu já estou aqui na casa. O problema é que não tem plano, não tem família, não tem documento.

Daí ele tinha que ter seguro, né? Mas daí se ele não tem família ele não tem seguro. .

. Waldiz José Czir: ah, daí você vai pegar o DPVAT?Luciano Ferreira: daí não dá para fazer pelo DPVAT.

Waldiz José Czir: não?Luciano Ferreira: vou tentar achar um familiar. O irmão dele parece que é de Ponta Grossa.

Waldiz José Czir: e quanto que eu vou levar nessa?Luciano Ferreira: você tem que me ajudar, por isso que eu te liguei. Porque não tem nenhum documento.

Você tem que me ajudar. O G1 tenta contato com os advogados dos envolvidos.

Conforme indica a investigação, os criminosos chegavam até as famílias das vítimas antes mesmo das equipes do IML. Eles conseguiam uma procuração para dar entrada no seguro que paga até R$ 13.

500,00. O delegado Renato Figueroa afirma que a fraude era realizada de duas formas: no recebimento do seguro DPVAT ou ao burlar o sistema de rodízio de funerárias de Curitiba.

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