Sem ambulância, criança foi transportada em automóvel de passeio (Foto: Wagner Medeiros)
Uma criança de quatro anos morreu nesse sábado (7) após ser transferida entre os municípios de Parnarama (MA) – a 460 km de distância de São Luís – e Timon (MA), no leste do Maranhão. Ana Clara Pinheiro da Silva deu entrada no Hospital São Domingos, em Parnarama, ainda pela tarde, com quadro de problemas respiratórios, febre alta, diarreia e vômito com sangue. Devido ao quadro grave, a equipe médica decidiu pela transferência da criança para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Timon, a 115 km de distância de Parnarama.

‘Insuficiência respiratória aguda’ é apontadacomo causa da morte (Foto: G1)
Sem ambulância disponível, a transferência da criança foi feita em um automóvel de passeio a serviço da Prefeitura de Parnarama. Ao chegar na UPA de Timon, no entanto, a criança morreu.

No atestado de óbito, consta que a criança morreu de ‘insuficiência respiratória aguda e febre de origem desconhecida’.
Em contato com o G1, o médico plantonista do Hospital São Domingos que atendeu a ocorrência, Dr.

Francisco Alexandrino Abreu, disse que a paciente foi remediada e ficou em estado de observação durante aproximadamente três horas, e apresentou uma piora do quadro.
O médico admite que a transferência teria sido feita com maior segurança e de forma mais adequada com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Móvel, mas o município não dispõe da estrutura; e acrescenta que ainda que a opção fosse esperar por uma UTI Móvel de outro município, o desfecho do caso teria sido o mesmo.

“O município agiu com prudência. Ela foi socorrida.

Era uma emergência. A gente não possui UTI Móvel, mas ela foi encaminhada em um veículo da prefeitura, com equipamentos, cilindro de oxigênio e acompanhada”, disse.

A secretária de Saúde de Parnarama, Eliete Carneiro dos Santos, também diretora do Hospital São Domingos, afirmou ao G1 que busca recursos para melhorar o sistema de saúde do município, e reforçou que o atendimento à paciente foi ‘adequado’. “Foi uma emergência.

A gente está no interior do Maranhão, onde a realidade é bem complicada”, conclui.
O G1 solicitou um posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES) do Maranhão, mas até a publicação da reportagem, não houve retorno do órgão.

.