Local frequentado pela família de menina que tomou coquetel (Foto: Reprodução/TV Clube)
O dono do local onde eram feitas as sessões espíritas, que a menina de 10 anos internada com intoxicação e marcas de tortura participava com os pais, negou nesta sexta-feira (22) que a criança foi submetida a rituais de magia negra. A menina encontra-se em coma no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e com quadro clínico de morte cerebral.
A polícia e a direção da unidade de saúde suspeitam que a criança tenha sido usada num ritual de magia negra, por apresentar cicatrizes em forma de cruz e seu cabelo ter sido raspado.

Liquido que a criança pode ter ingerido (Foto: G1)
O G1 esteve no salão espírita, localizado a 20 km de Timon, no Maranhão, e conversou também com populares que frenquentavam o lugar. Eles afirmaram que várias pessoas visitam o local em busca de tratamento de saúde e em alguns casos a mãe de santo indica uma “garrafada’ (bebida com ervas) produzida e vendida por ela.

Questionado sobre o tratamento oferecido aos participantes das sessões espíritas, o dono do salão e marido da mãe de santo negou qualquer tortura de criança e uso de bebidas com ervas. Ele revelou que os pais da menina frequentavam o salão há cinco anos em busca de tratamento para cura de asma.

“Aqui só fazemos trabalho espiritual, não oferecemos nada que prejudique alguém. Rezamos nas pessoas doentes e depois elas ficam curadas.

O que estão falando por aí, sobre a gente fazer algum mal, é mentira. Minha mulher foi inclusive hoje para Teresina, a pedido da mãe da criança, rezar pela saúde dela”, declarou.

Socorro Arrais revela detalhes de conversas comos pais da menina (Foto: Reprodução/TV Clube)Mais denúnciasAlém da menina de 10 anos internada, o Conselho Tutelar IV de Teresina investiga se outras três crianças também teriam sido torturadas em rituais de magia negra. Segundo a conselheira Socorro Arrais, elas apareceram na escola com os cabelos raspados e cicatrizes em forma de cruz feitas com lâminas.

“Já entregamos estas novas denúncias à DPCA [Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente] e encaminhamos o relatório com todos os casos à Justiça. Estamos tentando identificar os pais dessas crianças e evitar que elas tenham o mesmo destino da menina de 10 anos”, comentou a conselheira.

Pais pagariam R$ 3 mil por tratamentoA mãe da menina revelou que pagaria R$ 3 mil para tratar a asma da filha por meio de um ritual de magia negra. Segundo a conselheira tutelar Socorro Arrais, a informação foi durante depoimento na quarta-feira (20) na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

“Ela afirmou ser frequentadora do ritual há quatro anos e levava a filha porque queria curá-la de uma asma. A mãe diz que a responsável pelo ritual cobrou R$ 3 mil pelo tratamento, mas que só R$ 500 teriam sido pagos até o momento.

Ainda sob orientação dessa mulher, ainda não identificada, a mãe comprou o líquido ingerido pela criança e que provocou a intoxicação”, contou a conselheira revelando ainda que o ritual foi realizado no Maranhão.
Por se tratar de uma tentativa de homicídio, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) encaminhou o caso para o do 11º Distrito Policial.

No entanto, o caso voltou à DPCA, que só vai se pronunciar sobre a investgação após o recebimento do laudo que va indicar as substâncas contidas no líquido ingerido pela criança. Estado de saúdePara o diretor técnico do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), Fábio Marcos de Sousa, a substância tóxica ingerida pela menina determinou um quadro neurológico grave e irreversível, que teve carater progressivo.

“Coletamos material no estômago da garota e a família também entregou um frasco de vidro contendo o líquido supostamente ingerido pela menina. Encaminhamos tudo para um laboratório em Goiás e a análise do teor da bebida deve sair em 10 dias.

Somente com este laudo em mãos vamos abrir o protocolo para confirmar a morte encefálica da paciente”, explicou o médico.
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