A falta de estrutura é um problema grave para o trabalho da Polícia Civil em Santa Inês, a 205 km de São Luís. A Delegacia Regional atualmente funciona de forma improvisada em um antigo prédio do Maranhão, onde antes funcionava a Agência de Defesa Agropecuária (Aged). Por causa disso, os presos temporários são submetidos a situações degradantes.

Dentro da cela não existe mais espaço para mais novos presos. O local que seria para quatro pessoas hoje é dividido por treze detentos.

Os presos dizem que não conseguem mais dormir. Segundo eles, o calor é insuportável e muitos até passam mal.

A cela da Delegacia Regional foi construída para abrigar presos temporários que deveriam ficar aqui no máximo 24 horas enquanto a Policia Civil faz o procedimento para encaminhá-los ao presídio. Claudio da Conceição Rodrigues está preso há mais de um mês.

Ele diz que a situação é precária na delegacia.
“A situação aqui é muito precária.

Aqui é muito difícil. A gente sofre muito aqui dentro.

A gente está disposto a pagar o crime da gente. Tudo o que a gente deve, aqui não tem nenhum inocente, mas só que é o seguinte: uma situação dessa é muito difícil.

O calor aqui é muito grande, o banheiro é horrível”, reclamou o preso Claudio. Ademir Silva Pereira está preso na delegacia de Santa Inês e precisa apoiar a perna quebrada em cima de uma caixa (Foto: Reprodução/TV Mirante)
A garagem da delegacia teve que ser transformada em cela.

Homens e mulheres ficam algemados em motos, barras de ferro. O único banheiro que pode ser usado por eles fica dentro da cela.

Alguns improvisam garrafas plásticas para fazer as suas necessidades.
Ademir Silva Pereira que também é preso está com a perna quebrada e precisa apoiar em cima de uma caixa.

Ele afirma que sente dor o tempo todo. “Eu tou dormindo assim.

Não tem como eu me deitar. No banheiro tenho que ficar pedindo.

A minha situação é essa aqui”, revelou.  
A Delegacia Regional de Santa Inês atende 20 municípios e onde está ainda o primeiro Distrito Policial que é responsável por atender as ocorrências de uma parte da cidade.

A estrutura é antiga e apresenta problemas como o reboco que está se soltando e forro caindo.
O delegado Regional, Raphael Reis, diz que a falta de infraestrutura acaba comprometendo o trabalho da polícia.

Ele acrescenta que os presos ficam na delegacia mais tempo do que o necessário. “Infelizmente hoje os presos que deveriam ficar custodiados na delegacia tão somente no espaço de tempo necessário para a lavratura dos procedimentos.

Eles ficam no ar de eterno nas delegacias transformando as nossas delegacias em verdadeiros presídios”.  Outros distritos policiaisA situação não é diferente na Delegacia da Mulher e no Segundo Distrito Policial que funcionam em uma casa alugada no município de Santa Inês.

Atualmente, a cidade está construindo um prédio que vai abrigar todas as delegacias do município, além da base da Polícia Militar, no entanto as obras do local estão paradas. O local fica aberto e já serve até como abrigo de animais.

O delegado Raphael Reis acredita que a conclusão e inauguração dessa obra contribuiriam para um melhor trabalho da polícia em Santa Inês. “Sem dúvida a inauguração desse prédio que a gente ainda não tem uma data definida seria de suma importância para o desempenho da atividade da nossa polícia civil.

O prédio aqui da nossa delegacia infelizmente é localizado num local não propício. A gente não tem pátio de funcionamento, salas para condicionamento de bens apreendidos.

Então, fica muito difícil realmente desenvolver um trabalho sem ter estrutura física e material-humano necessário”, finalizou.
Sobre os tranalhos de construção no prédio destinado às polícias de Santa Inês que estão paralisadas, por meio de nota, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra) informou que as duas obras tiveram os serviços suspensos por problemas no pagamento, mas que já há uma negociação com as empreiteiras responsáveis pela construção da Delegacia Regional e pela obra da base da Polícia Militar.

Segundo a Sinfra, em breve será divulgado um novo cronograma de execução dos serviços. Delegacia que seria para quatro pessoas hoje é dividido por treze detentos (Foto: Reprodução/TV Mirante)
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