O pedreiro Ronildes Paiva, pai das crianças assassinadas, lamenta a fuga do suspeito da chacina e o fato de ele até hoje não ter sido julgado pelos crimes que cometeu. (Foto: Junior Freitas/G1)
“Para nós da família, é um sentimento ruim de dor e revolta porque um monstro sem caráter está solto”, diz o pedreiro Ronildes Paiva, de 36 anos, sobre a fuga de três detentos no Presídio Pandinha, em Porto Velho. Um dos fugitivos é Tanus dos Santos, acusado de matar quatro pessoas a tiros no dia 30 de dezembro de 2013, em Guajará-Mirim (RO).

Entre as vítimas estavam os filhos do pedreiro, Renato de 5 e Elissandro de 16 anos, além da ex-mulher Luciene, de 28 anos, e o ex-cunhado Jokley Lima de Freitas, de 21 anos.
Em entrevista ao G1 na manhã desta quarta-feira (13), Ronildes disse que ficou sabendo da fuga do suspeito através das redes sociais e espera que os fugitivos sejam recapturados pela Justiça o quanto antes.

“Ele cometeu um crime bárbaro e a gente quer que ele fique o resto da vida na cadeia, mas sabemos que é muito difícil com a nossa Justiça do Brasil. Estamos revoltados com essa fuga, não tem explicação.

Já vai fazer três anos que ele matou meus filhos e ainda não foi julgado, agora conseguiu escapar. Me sinto impotente diante disso”, desabafou.

Renato tinha cinco anos quando foi assassinado durante a chacina que também vitimou a mãe, o irmão e o tio dele. (Foto: Arquivo Pessoal/Família)
O pedreiro também falou do sentimento de perda e a saudade que sente dos filhos.

“Quando deito a cabeça no travesseiro passa um filme na minha cabeça, dos momentos bons e felizes. Todas as noites são de lembranças, tem sido difícil viver com essa saudade que não tem fim.

É uma situação que a gente pensa que nunca vai acontecer com nossa família, mas aconteceu e temos quer ir levando a vida. Só o tempo vai fazer com que a gente conviva com essa dor, mas nunca vamos esquecer”, concluiu.

Crime e a fugaUma mulher de 28 anos e os dois filhos, de 5 e 16 anos, foram mortos a tiros na madrugada do dia 30 de dezembro de 2014, no Bairro Santa Luzia, em Guajará-Mirim (RO). O autor do crime foi identificado pela polícia como sendo Tanus dos Santos, de 23 anos, que, na época, era o namorado da mulher.

A motivação para o crime, segundo os parentes das vítimas, seria ciúmes. O suspeito Tanus dos Santos está foragido desdea última segunda-feira(Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Tanus se entregou à Polícia Civil acompanhado de um advogado, dois dias após o crime.

Cerca de 300 pessoas tentaram invadir a Delegacia Regional de Polícia Civil de Guajará-Mirim para linchar o suspeito.
Durante o tumulto, a Delegacia foi depredada e policiais ficaram feridos.

Um manifestante foi atingido por uma bala de borracha. Ninguém foi preso e, como medida de segurança, Tanus foi transferido para a  Penitenciária Estadual Edvan Mariano Rosendo, conhecida como Pandinha, localizada na Estrada da Penal, na zona rural de Porto Velho.

Ele estava preso no local até a última segunda-feira (11), quando conseguiu fugir juntamente com mais três presidiário. Segundo um agente penitenciário que pediu para não ser identificado, sete presos serraram as grades de uma cela do pavilhão C e após caminharem aproximadamente 30 metros, conseguiram pular o muro da unidade.

Quatro foragidos foram recapturados nas proximidades da região por agentes penitenciários, com apoio de policiais civis e militares.
Agentes penitenciários, PM e Polícia Civil de todo estado estão envolvidos nas buscas pelos foragidos.

A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) não se pronunciou a respeito em virtude da investigação ainda não ter sido concluída.
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