De cabelos longos, Nilza se emocionou ao conhecer a irmã Nelzeli (Foto: Magda Oliveira/G1)
Choro, risos e um misto de sentimentos marcaram o encontro entre as irmãs Nilza Maria da Silva Bonjur, de 43 anos, e Nelzeli de Jesus, de 48 anos, que nunca tinham se visto. Nilza é moradora de Irupi (ES) e veio para Cacoal (RO), município a 480 quilômetros de Porto Velho, para conhecer a irmã que está doente. Nilza chegou na terça-feira (19) e, ainda no aeroporto, foi recepcionada pela irmã Nelzeli, que não economizou abraços e beijos, no momento do encontro esperado durante uma vida inteira.

Emoção tomou conta do primeiro  encontro das irmãs
Após a recepção, as duas seguiram para a residência de Nelzeli, onde o tempo perdido começou a ser recuperado, através de lembranças individuais que não puderem ser compartilhadas. Nelzeli conta que só descobriu que não era filha do pai de seus outros quatro irmãos, aos 19 anos e, mesmo assim, a informação não foi dada pela mãe.

“Eu sempre desconfiei que eu não fosse filha do mesmo pai dos meus irmãos, devido à diferença na aparência física e até comportamental, e também pelo fato dos meus irmãos que eram mais velhos do que eu sempre dizerem que eu não era irmã deles e me hostilizarem. Mas, como minha mãe sempre desmentia, eu acreditava nela”, contou Nelzeli.

Encontro em Rondônia foi movido a muito carinho por parte das irmãs (Foto: Magda Oliveira/G1)
Aos 19 anos, cansada dos maus tratos dos irmãos, Nelzeli já havia saído de casa. Contudo, devido a um tratamento de saúde que sua mãe precisava ser submetida, precisou acompanhá-la em uma viagem para o Rio de Janeiro (RJ).

Chegando lá, um primo comentou com Nelzeli que conhecia uma tia sua por parte de pai.
“Eu fingi que sabia da história e falei para ele que gostaria de conhecê-la também.

Na mesma hora, ele me levou até essa tia e foi quando eu fiquei sabendo de parte da história da minha vida, porque toda a história só poderia ser contada por minha mãe, que até hoje não tem coragem”, confidenciou Nelzeli.
Apesar de ter vivido a vida sem saber da sua real origem e não ter tido a oportunidade de conhecer o pai biológico, já que ele faleceu quando Nelzeli tinha sete anos, ela afirma que não guarda mágoa da mãe.

Nelzeli recebeu a irmã Nilza em casa, onde as duas comemoraram o encontro (Foto: Magda Oliveira/G1)
“Eu gostaria muito que ela tivesse me contado a verdade, pois isso teria evitado muitas dúvidas e revoltas que eu carreguei durante muitos anos na minha vida. Mas eu não guardo mágoa.

Hoje eu cuido dela e sei que Deus sabe de todas as coisas”, acredita Nelzeli.
Ela é minha alma gêmea”
Já Nilza conta que sempre soube da existência de Nelzeli, mas, devido às diferenças religiosas tinha receio de manter qualquer tipo de aproximação.

Realidade que mudou no final de 2015, quando passou por uma violenta depressão e sentiu a necessidade de se reconciliar.
“Hoje eu me arrependo muito do meu preconceito, amo minha irmã, sinto que ela também me ama e que poderíamos estar juntas há muito tempo.

Mesmo sem termos sido criadas próximas, nós temos muitas semelhanças físicas e até de comportamento. É impressionante, ela é minha alma gêmea”, diz Nilza arrependida.

Nilza deverá permanecer em Cacoal até o dia 15 de maio. Durante esse período, muitas histórias deverão ser preenchidas e a promessa que fica entre as duas é de nunca mais perderem o contato.

.