O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) foi preso na manhã desta terça-feira (12) (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
O ex-senador Gim Argello (PTB-DF), seu assessor Paulo Cesar Roxo Ramos e o secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal Valério Neves Campos, presos na 28ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), chegaram a Curitibano fim desta tarde. Eles devem fazer o exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML), que é praxe após a prisão, na quarta (13).
Gim Argello está preso preventivamente; já Paulo e Valério, temporariamente.

A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período ou convertida em preventiva, quando o investigado fica preso à disposição da Justiça sem prazo pré-determinado.
Ainda nesta terça-feira, a Polícia Federal (PF), além dos mandados de prisão, também cumpriu 15 mandados de busca apreensão e cinco de condução coercitiva nas cidades de São Paulo, no Rio de Janerio, Taguatinga (DF) e Brasília.

Vitória de PirroA 28ª fase da Lava Jato, batizada de “Vitória de Pirro”, investiga a cobrança de propinas para evitar convocação de empreiteiros em comissões parlamentares de inquérito sobre a Petrobras.
Gim era vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, no Senado, e da Comissão Parlamentar Mista (CPMI) da Petrobras, no Congresso.

O nome dele pareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa. O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS.

As duas empresas são investigadas na Lava Jato.
O MPF afirma ainda que os recursos foram enviados a partidos indicados por Gim – DEM, PR, PMN e PRTB – na forma de doações de campanha aparentemente legais.

Bloqueio de bensO juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, determinou na manhã desta terça-feira o bloqueio de R$ 5,35 milhões das contas e aplicações financeiras do ex-senador.
Além disso, foram determinados os bloqueios de igual valor da empresa Argelo & Argelo Ltda, da mesma quantia da Garantia Imóveis Ltda e ainda mais R$ 5,35 milhões da Solo – Investimentos e Participações Ltda.

Todas as empresas ficam em Brasília e têm o ex-senador Gim Argello como sócio. O valor total de bloqueio nas três empresas é de R$ 16,5 milhões.

O juiz também pediu o bloqueio de R$ 5,35 milhões de Paulo. RESUMO DA 28ª FASEObjetivo: investigar obstrução da CPI e da CPMI da Petrobras (2014 e 2015).

Mandados judiciais: 23, sendo 2 de prisão temporária, um de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão e 5 de condução coercitiva. Preso preventivamente: ex-senador Gim Argello (PTB-DF).

Presos temporariamente: Paulo Cesar Roxo Ramos, assessor de Gim, e Valério Neves Campos, secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Conduzidos coercitivamente: Jorge Argello Júnior, filho do ex-senador Argello, e os executivos da OAS Roberto Zardi Ferreira Jorge, Gustavo Nunes da Silva Rocha, Dilson de Cerqueira Paiva Filho e Marcos Paulo Ramalho.

O outro ladoO advogado do ex-senador Gim Argello, Marcelo Bessa, disse que ainda não teve acesso ao processo e que, por isso, não vai se pronunciar. Por meio de nota, a família do ex-senador manifestou indignação quanto à prisão dele: “Gim Argello, pessoa pública, vive em Brasília há mais de 50 anos, onde tem residência fixa e conhecida.

Ao longo de toda a investigação, sempre colaborou com a Polícia Federal sem nunca se opor a prestar esclarecimentos ou informações. Sua prisão  baseada apenas em denúncias não confirmadas  é injustificada sob qualquer ótica”.

Em nota, a OAS informa que “estão sendo prestados todos os esclarecimentos solicitados e dado acesso às informações e documentos requeridos pela Polícia Federal, em sua sede em São Paulo, na manhã desta terça-feira. A empresa reforça que está à inteira disposição das autoridades e vai continuar colaborando no que for necessário para as investigações”.

Procurada pelo G1, a UTC Engenharia afirmou que “a empresa não comenta investigações em andamento”.
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