Bernardo saiu do hospital no dia 27 de maio após passar 90 dias internado. (Foto: Karen Lessa/Arquivo Pessoal)
Um ano depois de passar quase 90 dias com o filho Bernardo, em uma Unidade de Tratamento Intensiva, Karen Patrícia Araújo Loubak Lessa de Ji-Paraná (RO), cidade localizada a cerca de 370 quilômetros da capital Porto Velho, passa por uma fase completamente diferente com o filho e diz que ‘faria tudo de novo’. O seu segundo Dias das Mães não será no hospital, mas sim em casa.

Cerca de 20 dias depois da comemoração das mães em 2015, Bernardo recebeu alta e de lá para cá tem se desenvolvido normalmente.
Com algumas complicações na gravidez, Bernardo nasceu com prematuridade extrema aos seis meses de gestação.

  Ele nasceu dia 22 de fevereiro e  saiu do hospital do dia 27 de maio, pesando apenas 2 quilos e mesmo com toda a fragilidade da criança, a primeira decisão de Patrícia foi de não superprotegê-lo.  
“A gente saiu do hospital e eu sempre procurei cuidar do Bernardo como se ele fosse uma criança normal.

Pensei, não vou fazer do meu filho uma criança que não pode fazer nada, que ninguém pode pegar, não vou super protegê-lo”, explica. Karen diz que faria tudo de novo para ter o filho(Foto: Karen Lessa/Arquivo Pessoal)
Hoje, com um ano e dois meses, Bernardo não desenvolveu nenhuma sequela por ter nascido prematuro.

“Claro que o desenvolvimento dele acontece como de uma criança prematura, ele ainda não está andando, começou a engatinhar agora, mas isto é normal para qualquer criança que nasce antes do tempo”, explica a mãe.
Um dos grande medos da família, era que a criança ficasse cega, já que ele precisou fazer uma cirurgia muito delicada para colar a retina.

“A cirurgia foi um sucesso e a retina dele está coladinha. Hoje o Bernardo precisa usar óculos, mas isto não por causa da cirurgia, ele tem miopia”, conta a mãeTraumasA mãe relembra os dias de angústia na UTI e que geraram traumas na mãe que ainda não foram completamente curados.

“Eu ainda me lembro dos barulhos que tinham a UTI. Nos primeiros meses precisei ir ao psicólogo para conseguir colocar tudo no lugar.

Mas, às vezes, me vem um sentimento de medo de perder algo, de perder meu filho. É horrível.

Às vezes eu acho que quem ficou com sequela daquilo tudo fui eu”, relembra.
Mas, mesmo diante de todo sofrimento, quando questionada se faria de novo, ela não hesita.

“Quando eu olho para este sorrisão, essa coisa linda, eu não tenho dúvidas: faria tudo de novo só para tê-lo comigo”, garante a mãe. A nova gravidezPatrícia lembra que durante anos teve muita dificuldade para engravidar.

Mesmo depois do nascimento do Bernardo, nem passava por sua cabeça uma nova gestação. Mas hoje vive uma nova gravidez que foi inesperada.

“Quando eu descobri que estava grávida de novo, foi um susto. Me veio a cabeça tudo que tínhamos passado.

Perguntei a Deus o que ele queria de mim”, conta a mãe.
A mãe ficou tão assustada que demorou três dias para contar ao marido sobre o segundo filho.

“Quando eu contei, ficamos uns quatro dias pasmos, sem saber para onde ir, sem saber o que seria de nós”, brinca a mãe afirmando que depois foi só alegria.
Patrícia diz já ter feito vários exames e passou por um médico especialista em partos de risco e tudo apontou para uma gravidez completamente normal e saudável.

“Na gravidez do Bernardo, eu só tive os primeiros três meses normais, depois foi repouso absoluto, eu mais parecia doente do que grávida. Nesta gravidez eu vou poder curtir, fazer fotos.

Vou experimentar dois momentos diferentes da maternidade, a gestação e o crescimento do Bernardo”, finaliza a mãe.
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