Túlio Rodrigues (Foto: Reprodução/TSE)
O empresário e fazendeiro Túlio Rodrigues da Luz, de 68 anos, foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por participação em uma série de incêndios criminosos ao fórum, prefeitura, emissoras de rádio e prédios particulares de Boca do Acre, no interior do Amazonas. A condenação ocorreu após quase 12 anos do crime, motivado pela derrota do grupo político do fazendeiro nas eleições municipais de 2004.
Túlio foi preso em Boca do Acre na quarta-feira (20), depois da decisão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Outro fazendeiro e um radialista também foram condenados pelo crime e estão foragidos.
Segundo o juiz Jeferson Galvão, que é titular da 1ª Vara de Humaitá e atua na 14ª Zona Eleitoral de Boca do Acre, Túlio Rodrigues, um radialista e outro fazendeiro foram acusados de orquestrar os incêndios criminosos aos prédios públicos e privados.

Os três homens eram réus em processo que tramitava na Justiça Eleitoral desde 2004. Eles foram condenados a prisão em regime fechado por incêndio criminoso.

Somente em 2016 houve a sentença. No entanto, os acusados ingressaram com recursos no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e no TSE, o que contribuiu para o atraso da sentença.

“A sentença foi dada pelo juiz da Comarca, mas eles recorreram ao TRE e depois para o TSE. A sentença é definitiva e não provisória.

A justiça já é demorada e com esses recursos demorou todo esse tempo, só agora que saiu o resultado”, explicou juiz Jeferson Galvão.
Túlio Rodrigues foi preso nessa quarta-feira (20) e permanece na Delegacia de Boca do Acre.

Os dois condenados foragidos são procurados pela Polícia Civil. Os nomes dos foragidos não foram divulgados pela Justiça, que já tem informações do possível paradeiro deles.

Além de ser empresário e fazendeiro, Túlio Rodrigues conhecido como “Ferrim” também foi candidato a prefeito de Boca do Acre nas eleições de 2012 pelo partido PRTB. Porém, não foi eleito e teve apenas 22 votos.

Entenda o casoLogo após o resultado das eleições municipais no dia 3 de outubro de 2004 uma revolta popular foi desencadeada em Boca do Acre, município situado no Sul do Amazonas.
Houve tumulto na cidade no fim da apuração dos votos.

Manifestantes atearam fogo no Fórum de Justiça Oswaldo Frota, no Cartório Eleitoral, na Prefeitura Municipal, na residência do então prefeito Iran Lima, em uma emissora de rádio, na TV Boca do Acre e depredaram ainda dois caminhões. A violência foi desencadeada ainda com a impugnação do candidato a prefeito Dominguinhos Munhoz, da coligação “Frente Popular para o Desenvolvimento Bocacrense”.

A Justiça Eleitoral considerou que Munhoz não poderia concorrer às eleições por ter dois mandatos municipais como vice-prefeito do município. No dia do pleito, após a votação, os votos do candidato impugnado foram considerados nulos.

A impugnação gerou revoltas de militantes de Domingos Munhoz.
“O que motivou a ação criminosa foi inconformismo com resultado das eleições, que foi desfavorável ao grupo político deles.

A juíza que estava dentro do Fórum quando foi cercada. A magistrada teve fugir pulando o murro dos fundos e se machucou.

Foi algo que repercutiu nacionalmente. Isso ocorre muito na nossa região do Amazonas e esse é o primeiro caso em que há condenação dos envolvidos, mesmo assim a condenação de poucos”, afirmou o juiz.

As eleições de outubro de 2004 em Boca do Acre foram anuladas pela Justiça Eleitoral porque o número de votos nulos foi maior que os válidos. Já em dezembro do mesmo ano Iran Lima (PPS) foi reeleito para cargo de prefeito do município.

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