Cuxiú-de-nariz-branco foi encontrado em Vilhena(RO) (Foto: Aliny Ripke/Arquivo pessoal)
Um filhote de macaco da espécie Chiropotes albinasus, conhecido como Cuxíu-de-nariz-branco foi encontrado por uma estudante no último domingo (17), no Setor de Chácaras, em Vilhena (RO), região do Cone Sul. O animal não apresentava ferimentos e foi entregue em uma clínica veterinária da cidade, na segunda-feira (18). De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a espécie está na lista oficial da fauna brasileira, como ameaçada de extinção desde 1989.

“A gente estava voltando do rio e aí vimos ele na estrada. Eu estava com uma cobertinha do meu neném e enrolei ele nela.

Ele estava bem assustado e até chegou a tentar nos morder. Tinha muito carro na rua e ficamos com medo de ele morrer atropelado e ele era muito bonitinho para morrer”, brincou Amanda Campos, de 24 anos, que o encontrou.

 
A médica veterinária Aliny Ripke, que está cuidando do animal, confirmou que a estudante conseguiu capturá-lo. “Ela procurou o Ibama, mas eles não estão pegando mais animais.

Ela também procurou a Sedam [Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental], mas já estava fechada. Com isso, ela trouxe para a gente”, explica Aliny.

O pequeno macaco está isolado de outros animais, para não contrair ou transmitir doenças. Ele está sendo alimentado com frutas, ovo cozido, leite em pó e sementes.

“Conversei com amigos biólogos que me indicaram essa alimentação. Caso não consigamos entregar para um órgão ambiental em Vilhena, pensamos em encaminhá-lo para uma organização animal em outro estado”, explica.

De acordo com o Ibama em Vilhena, após várias reuniões, a função de acolher animais ficou a cargo da Sedam ou da Polícia Ambiental. Conforme o gerente regional da Sedam no município, Pedrinho Muller, o órgão aguarda resposta da Sedam em Porto Velho, para os procedimentos com o animal.

“Por enquanto, pedimos para a veterinária ficar com ele, pois ela tem um espaço adequado, até que recebamos a resposta”, salienta. Macaquinho está na clínica veterinária de Aliny Ripke em Vilhena (RO) (Foto: Eliete Marques/G1)
Espécie é encontrada na transição do cerrado para a floresta amazônicaEspécieConforme o biólogo Flávio Terassini, o nome popular do pequeno macaco é Cuxiú-de-nariz-branco, embora o nariz seja vermelho.

Ele é típico da floresta Amazônica. “A espécie Chiropotes albinasus tem a distribuição geográfica na Amazônia Central.

Ele está ameaçado de extinção e é encontrado próximo a Vilhena, nessa parte que pega o cerrado, já entrando com a floresta Amazônica”, explica.
Segundo Terrassini, há cerca de 100 anos, o macaco quase foi extinto na Amazônia brasileira.

“Muitas pessoas matavam apenas para tirar o rabo e soltavam ele na floresta. Com o rabo, faziam espanador de pó.

O macaco na floresta sem o rabo, morria, geralmente por infecções, hemorragias”, ressalta.  
Com o passar do tempo e o avanço da agropecuária, desmatamento e queimadas, o habitat do macaco foi sendo destruído e ele passou a ser ameaçado novamente.

“Eles podem ser hospedeiros; podem ter no sangue alguns vírus, como o vírus da febre amarela. Ele tem que ter um destino adequado, pois como ele é um filhote, se for solto na floresta, não conseguirá sobreviver, pois necessita do leite da mãe e também não conseguirá fugir de predadores”, conclui.

O pequeno macaco está isolado para não pegar nem transmitir doenças (Foto: Aliny Ripke/Arquivo pessoal)
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