As Olimpíadas ainda nem começaram, mas já estão trazendo milhares de turistas de todo o mundo para o Brasil. Junto com eles, chega também uma preocupação: a de que esses estrangeiros acabem trazendo consigo vírus e bactérias que não têm circulação no país.

Algumas doenças que já estão erradicadas no Brasil podem voltar a circular com a chegada dos vírus estrangeiros. A poliomielite, causadora da paralisia infantil, é uma delas. A doença já foi erradicada há mais de 25 anos, mas o vírus pode voltar a aparecer por aqui, pois ainda está ativo no Afeganistão e no Paquistão.

Outro exemplo é o sarampo. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o Brasil está com a doença controlada. Isso significa que não há circulação endêmica do vírus por aqui. Mas ele ainda é frequente nos Estados Unidos e em países europeus.

Os médicos também se preocupam com a prevalência de gripe no país durante as semanas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. “No inverno, a aglomeração de pessoas em locais fechados, como ginásios, bares e restaurantes, pode favorecer a transmissão da gripe”, lembra o infectologista Jessé Alves, chefe do Núcleo de Medicina de Viajantes do Instituto Emílio Ribas e membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Viagem.

Se não tratada corretamente, a gripe pode evoluir para uma pneumonia, infecção que pode, inclusive, levar à morte.

Todas essas doenças são possíveis de prevenir por vacinas que estão no calendário do Ministério da Saúde. Por isso, manter o cartão de vacinação atualizado é tão importante.

Além disso, alguns hábitos evitam o contágio por alguns desses vírus e bactérias. “Os brasileiros devem tentar evitar aglomerações em locais fechados e estar atentos a sintomas que ocorram, como febre e mal-estar, para procurar logo um médico”, orienta a professora Marise Oliveira Fonseca, especialista em medicina do viajante. Lavar as mãos com regularidade e evitar o contato direto das mãos com nariz e boca também são boas medidas.

Os turistas estrangeiros também precisam se cuidar. “Evitar alimentos crus, estar com o cartão vacinal em dia, se hidratar bem e prestar atenção ao uso de repelente”, alerta a médica. Mesmo com a diminuição da circulação dos vírus de zika, dengue e chikungunya, as doenças ainda estão ativas.

Adultos também têm vacinas a tomar

Quando se fala em vacinas, a maioria das pessoas associa à imunização infantil. Mas os adultos também têm um calendário vacinal, que precisa estar em dia para evitar doenças.

A vacina mais conhecida para adultos é a contra a gripe. Mas há outras. “Contra o tétano, a pessoa deve se vacinar a cada dois anos, para o resto da vida. Isso vale para todas as pessoas. Contra o sarampo, todas as pessoas que não se vacinaram na infância precisam se vacinar”, orienta Marise Oliveira Fonseca, professora de doenças infecciosas da UFMG.

O Ministério da Saúde recomenda que todos os homens e mulheres com até 49 anos se vacinarem contra o sarampo, independentemente da história pregressa de imunização. A vacina contra a gripe, o tétano e o sarampo estão disponíveis na rede pública de saúde.

“Esses cuidados garantem a proteção contra doenças que são preveníveis”, alerta a professora. (RS)

Meningite. Turistas estrangeiros podem trazer também variações da bactéria Neisseria meningitidi, causadora da meningite meningocócica. A doença é transmitida por tosse ou espirro da pessoa infectada, ou pelo beijo na boca, mesmo que ela não demonstre os sintomas.

Raquel Sodré/OTempo