Animal é levado pronto a socorro veterinário no bagageiro de carro (Foto: Rubenita Lessa/Arquivo Pessoal)
O gesto nobre da jovem advogada Rubenita Lessa ajudou a amenizar o sofrimento de um filhote de jumento que estava caído em uma praça pública de Teresina. Rubenita relatou que o animal parecia fraco e apresentava ainda o ferimento provocado pela ruptura do cordão umbilical e foi até o local para prestar socorro. O filhote, de pelo menos uma semana de vida, estava ao lado da mãe no bairro Mocambinho, Zona Norte da capital.

Jovem socorre animal fraco e abatido em praçapública (Foto: Rubenita Lessa/Arquivo Pessoal)
“Eu fiquei sabendo através de um grupo de protetores de animais que o filhote estava há alguns dias caído na praça e como moro próximo decidi ir ver como estava a situação dele. Vi que o ferimento ainda não tinha cicatrizado e saía secreções.

Coloquei o animal no bagageiro do meu carro e o levei ao hospital”, contou. No entanto, ao procurar o Hospital Veterinário da Universidade Federal do Piauí (UFPI), a advogada teve uma surpresa: o setor para animais de grande porte estava fechado e o animal  ficou sem o atendimento que precisava.

“O setor do HVU para animais de grande porte estava fechado e disseram que ele (setor) ia ficar assim por pelo menos uma semana. Deram uma justificativa, mas isso não deveria acontecer.

Eles precisariam pelo menos dispor de um plano B, até porque é o único hospital público da cidade e não poderia ficar fechado”, contou. Rubenita disse também que, mesmo buscando atendimento em outro setor do hospital, ela não conseguiu.

Foi então que ligou para uma amiga veterinária e o atendimento foi feito ali, em um banco na porta do HUV, com a ajuda de alguns funcionários da limpeza, que se dispuseram a ajudar no atendimento ao animal. Animal é atendido em frente ao HVU(Foto: Rubenita Lessa/Arquivo Pessoal)
A professora universitária aposentada e médica veterinária Roselly Klein foi quem fez os procedimentos clínicos de limpeza e sutura do ferimento do animal que já apresentava larvas, prestes a infeccionar.

Ela contou que o animal apresentava uma inflamação no umbigo com infecção. Mesmo em um local inadequado e impróprio para o procedimento, a médica e alguns residentes realizaram o atendimento.

“Naturalmente, a parte umbilical vai se fechando. Por ele ser de rua, o problema se agravou porque não houve um cuidado, um tratamento desse animal depois que ele nasceu.

Se o ferimento não tivesse sido tratado, ou esse animal não fosse medicado, a infecção poderia se propagar no organismo dele, chegar a um órgão e ocasionar uma infecção generalizada”, disse a médica. A veterinária também falou que o ideal seria que o filhote tivesse ficado internado e tomando antibióticos.

No entanto, o animal voltou a ser levado para a praça porque o hospital não pôde fazer a internação. A advogada falou que não sabe quem é o proprietário do animal.

“Eu tenho um carinho especial por animais, principalmente gatos e jumentos. Desde criança queria ao menos pegar em um filhote de jumento.

E aconteceu! Fiquei feliz em poder fazer um pouco pela vida daquele animal. Fiquei uma tarde sem trabalhar, mas ganhei meu dia”, falou Rubenita Lessa.

Resposta da UFPISegundo o diretor do Hospital Veterinário da UFPI, professor João Macedo, o setor para atendimento de animais de grande porte foi fechado e apenas os animais que estão internados na unidade de saúde estão sendo atendidos. O motivo do fechamento se deu por conta da realização das provas práticas de um concurso público que a instituição realiza durante a semana para o preenchimento de quatro vagas para médico veterinário.

Ele contou ainda que o processo segue até a próxima sexta-feira (15) e na segunda-feira (18) a unidade reabre para atendimentos normalmente. Animal é devolvido e volta para o lado da mãe (Foto: Rubenita Lessa/Arquivo Pessoal)
.