Rua do Cobre dá acesso à portaria do HSJD e é onde criminosos mais agem (Foto: Ricardo Welbert/G1)
Arrombamentos e furtos em veículos estacionados em ruas próximas ao Hospital São João de Deus (HSJD), em Divinópolis, têm preocupado quem frequenta a região. Muitos vizinhos, trabalhadores e pessoas que deixam os carros nas ruas para visitar pacientes já foram alvos desses crimes. A Polícia Militar (PM) confirma os casos e diz que se esforça para atender às ocorrências no menor prazo possível.

Mas, às vezes, os policiais demoram a chegar porque estão ocupados em ocorrências mais graves. O órgão de segurança pública pede que as vítimas observem características dos criminosos e forneçam essas informações aos policiais.

O bairro tem o mesmo nome do hospital que diariamente recebe gente de várias regiões do Centro-Oeste mineiro. A rua onde os arrombamentos e furtos mais ocorrem é a do Cobre, que dá acesso à portaria principal.

Um morador que vive na região há 38 anos aceitou falar ao G1 sobre os crimes. Ele pediu para não ser identificado na reportagem, por medo de sofrer represália.

Contou que há seis meses vê dois criminosos atuarem sempre à luz do dia e com muita tranquilidade.
O horário de pico dos crimes vai das 8h às 10h, que é quando pacientes recebem alta.

Os parentes deixam os carros nas ruas para entrar no hospital. Quando voltam, encontram o veículo violado e percebem que tiveram objetos furtados.

Morador do Bairro São João de Deus
“O horário de pico dos crimes vai das 8h às 10h, que é quando pacientes recebem alta. Os parentes deixam os carros nas ruas para entrar no hospital.

Quando voltam, encontram o veículo violado e percebem que tiveram objetos furtados”, contou.
Crimes que já não surpreendem o morador.

“Às vezes vejo eles roubando aparelhos de som, mochilas e bolsas. Já vi até deficiente físico, que usa cadeiras de roda, chegando ao carro e encontrando o veículo arrombado”.

Ele mesmo já foi alvo dos criminosos por oito vezes. “Já tive aparelho, camisas e retrovisor da moto levados”.

RegistroO morador também afirma que já ligou para a PM por várias vezes para denunciar  esse tipo de crime. “Sempre me dizem que não têm equipe pra mandar, porque todas estão empenhadas em ocorrências mais graves.

Já me pediram até pra gravar imagens dos crimes. Só que se eu filmar e isso for mostrado, os criminosos vão saber que o vídeo foi feito aqui da minha casa”.

Outra orientação que o morador diz receber é a que o induz a telefonar para a Polícia Civil, que é a instância que investiga. “Nunca deram atenção.

Mesmo assim eu estou sempre ligando e dizendo em que rua os bandidos estão. Se viessem ao menos alguma vez, poderiam pegar os caras em flagrante”.

Carro estacionado na Rua do Cobre, no Bairro São João de Deus (Foto: Ricardo Welbert/G1)
Mas nem todas as vítimas chamam a Polícia Militar (PM) quando descobrem que foram vítimas dos ladrões. “Certa vez, arrombaram um carro de um homem que vende camisas de times.

Levaram quatro sacolas cheias de peças. O dono dos produtos não registrou boletim de ocorrência porque vende camisas piratas, que não são originais”.

Criminosos são conhecidosAinda segundo o morador, a maior parte dos crimes são praticados por dois homens que ele vê na região há cerca de seis meses. “A gente sabe direitinho quem é.

Um funcionário de um hotel chegou a filmar um deles arrombando um carro. A polícia prendeu, mas ele foi solto de novo.

Continua aí arrombando e furtando junto com o outro. Normalmente, um deles arromba enquanto o outro vigia”, revelou.

O pior de tudo, ele diz, é morar na região onde os criminosos sabem quem são os vizinhos. “A gente passa, eles estão roubando, sabem que a gente está vendo, mesmo assim não se intimidam.

A gente não pode falar nada, porque os caras são perigosos. Não são moleques.

Cobertura da PMDe acordo com o tenente Marcelo Oliveira, do 23º Batalhão de PM, todos os chamados feitos ao telefone 190 são atendidos. “Mesmo que os militares só possam ir ao local pouco tempo depois, devido a outras prioridades.

Na região do São João de Deus já houve furtos de veículos e danos a automóveis. Mas, não há registros recentes”, afirmou.

O tenente diz que as vítimas desses crimes precisam registrar boletim de ocorrência junto à polícia. “Pode ser que alguém tenha sido furtado e não quis acionar a PM.

Não temos como saber do crime se a vítima não ligar no 190″, conclui. Carros estacionados em região hospitalar no São João de Deus são alvos do crime (Foto: Ricardo Welbert/G1)
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