O advogado Beno Brandão, que defende o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, disse que o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli pediu para que Cerveró intermediasse o contrato do navio-sonda entre o Grupo Schahin e a Petrobras, resultando na quitação do empréstimo de R$ 12 milhões feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai junto ao banco do grupo. O G1 tenta contato com Gabrielli.
A afirmação foi feita após a audiência realizada na tarde desta segunda-feira (18) na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba.

Esta foi a primeira vez que Cerveró falou ao juiz federal Sérgio Moro na condição de delator em uma audiência referente à uma ação penal da 21ª fase da operação – batizada de Passe Livre.
Perguntado se Nestor Cerveró foi questionado na oitiva sobre a participação de Gabrielli na intermediação do empréstimo que, conforme a delação de Eduardo Musa, foi um pedido do ex-presidente da estatal, o advogado respondeu que o cliente falou sobre Gabrielli.

“Foi dito sim que o Gabrielli que sugeriu essa solução por parte do Nestor”.  
Porém, Beno Brandão negou que o pedido tenha partido do ex-presidente  da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas afirmou que Lula ficou agradecido a Cerveró.

Inclusive, anteriomente, Cerveró já havia dito em depoimento de delação premiada que foi alçado ao cargo de diretor da BR Distribuidora – subsidiária da estatal – devido a um ato de gratidão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O advogado voltou a comentar o assunto que também, segundo Beno Brandão, foi abordado na audiência.

“Teve reconhecimento de que ele [Nestor Cerveró] foi colocado na BR Distribuidora por conta do que ele fez agora em relação ao empréstimo que era garantido pelo senhor [José Carlos] Bumlai e isso foi em reconhecimento. O ex-presidente Lula teve o reconhecimento de que ele fez uma coisa favorável  pro partido, por isso ele foi transferido para a BR Distribuidora”, afirmou o advogado.

Detido pela Lava Jato desde janeiro de 2015, Cerveró já foi condenado duas vezes pela Justiça Federal por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Somadas, as duas penas chegam a 17 anos de prisão.

Ele está preso em um presídio na Região de Curitiba. Nestor Cerveró está preso em presídio na Região Metropolitana de Curitiba (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)Outros réus O lobista e delator Fernando Baiano, que cumpre prisão domiciliar, também foi ouvido pelo juiz federal Sérgio Moro nesta segunda.

Ele é réu no mesmo processo. A audiência que ocorreu nesta tarde é referente a uma ação penal da 21ª fase da operação – batizada de “Passe Livre”.

O pecuarista José Carlos Bumlai, que cumpre prisão domiciliar, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, o acionista do Grupo Schahin Salim Schahin e outros cinco investigados também respondem por este mesmo processo.
De acordo com a Polícia Federal (PF)  e com o Ministério Público Federal (MPF), Cerveró, na condição de diretor Internacional da Petrobras, se beneficiou do esquema de fraude, corrupção e desvio de dinheiro, recebendo propinas milionárias em virtude de diferentes contratos da Petrobras e também na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A deleção premiada dele foi homologada após a divulgação de uma gravação feita numa reunião do senador Delcídio do Amaral com o chefe de gabinete dele, Diogo Ferreira, o advogado Edson Ribeiro e o filho de Cerveró, Bernardo. Diogo Ferreira teve a prisão temporária convertida para preventiva.

Investigações da 21ª faseAs investigações da 21ª fase apontam que o pecuarista Bumlai utilizou contratos firmados na Petrobras para quitar empréstimos junto ao Banco Schahin. O dinheiro destes financiamentos era destinado ao Partido dos Trabalhadores (PT), de acordo com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Diogo Castor de Mattos.

O principal empréstimo em investigação nesta fase era de R$ 12 milhões e teve o valor elevado para R$ 21 milhões devido aos acréscimos. A dívida, de acordo com o Ministério Público Federal, foi perdoada, e a irregularidade foi mascarada com uma falsa quitação no valor inicial do empréstimo.

Em troca deste financiamento, empresas do grupo Schahin conquistaram sem licitação o contrato de operação do navio-sonda Vitória 10. 000, ainda conforme o Ministério Público Federal.

O delator Salim Taufic Schahin afirmou que foi ele quem propôs a João Vaccari Neto a quitação de empréstimo de R$ 12 milhões do PT através da assinatura de um contrato com a Petrobras. Ele foi interrogado pela Justiça na última quarta-feira (13).

Salim detalhou a participação dos ex-tesoureiros do PT Vaccari e Delúbio Soares na negociação do empréstimo. Ele também confirmou a versão de Bumlai, que assumiu ter agido como interposto do PT para obter o empréstimo junto ao Banco Schahin.

O caso teve início em 2004. Segundo Schahin, Bumlai procurou o banco pedindo o empréstimo e relatou que repassaria o dinheiro ao PT.

Schahin disse que ficou preocupado com a situação, pois não gostava da ideia de conceder valores altos a pessoas físicas e interpostas a partido político.
O ex-gerente da Área Internacional, Eduardo Vaz Musa, também foi interrogado no mesmo dia.

Ele voltou a falar sobre a contratação do navio-sonda Vitória 1000. Ele explicou que o equipamento foi adquirido pela Petrobras para ser operado pela Schahin Engenharia, braço do Grupo Schahin.

“Houve uma conversa comigo, dizendo que essa segunda sonda seria contratada para ser operada pela Schahin”, afirmou.
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