Elza Soares se apresentará em Curitiba, no Teatro Guaíra, na sexta-feira (6) (Foto: Divulgação / Marcos Hemer)
“A mulher do fim do mundo é a mulher que não acaba nunca. Ela vai buscando perguntas e respostas. Ela quer saber.

A mulher do fim do mundo é essa que procura saber. Ela não sabe tudo não, mas procura saber das coisas”.

É assim que Elza Soares define a mulher que intitula seu mais novo trabalho: o premiado álbum “A Mulher do Fim do Mundo”, lançado em 2015.
Elza Soares estará em Curitiba para apresentar, na sexta-feira (6), no palco do Teatro Guaíra, o show que leva o mesmo nome do disco.

Por telefone, ela concedeu uma entrevista ao G1. Logo no começo da conversa, ela fez questão de falar que quem assina seu figurino é o estilista curitibano Alexandre Linhares, com a marca Heroína.

“O figurino é de Curitiba”, frisou. ‘A Mulher do Fim do Mundo’ é o trabalho maisrecente da artista, lançado em 2015 (Foto:Divulgação / Marcos Hemer)
Dona de uma história de vida e de uma carreira artística marcantes e cheias de personalidade, Elza Soares, aos 78 anos de idade e com mais de 60 dedicados à música, gravou pela primeira vez um disco só de inéditas.

O trabalho foi feito em parceria com nomes da vanguarda musical paulistana.
“A gente escolheu as músicas no chão da minha casa e depois fomos gravar, com a direção do Guilherme [Kastrup].

Foi lindo”, contou a cantora. “Ganhei um presente divino com esses rapazes.

Gravar inéditas depois de tantos anos e fazer um disco só de inéditas é uma coisa muito séria”, complementou. O álbum tem 11 faixas.

No álbum, há canções que abordam a violência contra a mulher e a realidade das travestis no país. “Denuncie, pelo amor de Deus.

Denuncie”, afirmou sem hesitar ao discorrer sobre o assunto. “Tentam apagar essa realidade”, disse se referindo à violência doméstica.

 
“Acabou o tempo de mulher que é escrava, de sofrer calada dentro de casa, acabou isso. Não tem que ter medo, tem que tomar atitude.

Vai ficar a vida toda sofrendo agressão física dentro de casa? Não, não, não. Tem que se impor.

As violências verbal e emocional também são horríveis. Acaba com a família inteira”.

Ela se impõe muito. Ela é uma mulher forte, uma mulher guerreira, uma mulher que está aí para ajudar todo mundo”
Elza Soares, sobre ‘A Mulher do Fim do Mundo’
Além de temas atuais nas letras das músicas, o novo álbum de Elza Soares traz contemporaneidade por meio dos arranjos e da diversidade de gêneros que circulam entre as canções, como o samba, o rock, o rap e o eletrônico.

Para a cantora, construir este trabalho não foi difícil: “A experiência te faz capaz”, garantiu.
Por toda a trajetória de vida, Elza Soares é inspiração para muitas mulheres – pela coragem e pela capacidade de se reinventar e se reerguer ao longo do caminho.

Ela disse ter “alguma visão da coisa, lógico”, mas que não fica pensando muito a respeito. “Se não, vou ficar muito besta e não posso”, brincou.

Com a sabedoria de quem está na estrada há muito tempo, deixou claro que é preciso ser humilde. ‘Fazer um disco só de inéditas é uma coisa muito séria’, afirmou Elza Soares (Foto: Divulgação / Marcos Hemer)
Voltando à mulher do fim do mundo, Elza Soares falou mais sobre esta mulher: “Ela se impõe muito.

Ela é uma mulher forte, uma mulher guerreira, uma mulher que está aí para ajudar todo mundo”.
A cantora também comentou sua relação com a capital paranaense.

“Eu amo Curitiba. Há muitos anos, eu ia às quintas-feiras para dar um curso no teatro e descobri vários talentos.

Descobri muitos talentos gostosos, bons , maravilhosos. Alguns talentos que gravaram e já estão com a sua vida feita dentro da arte, é muito bom isso.

Tenho um carinho muito grande pela cidade”.
No fim da entrevista, Elza Soares chamou os curitibanos para assistirem ao show.

Confira o áudio com o convite. PrêmiosCom menos de um ano de lançamento, “A Mulher do Fim do Mundo” já ganhou os prêmios de “Melhor Show Nacional”, da Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo; de “Melhor Álbum”, pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes); e de “Melhor Álbum de 2015” e “Melhor Música de 2015” (“Maria da Vila Matilde”) pela revista Rolling Stone Brasil.

O álbum “A Mulher do Fim do Mundo” pode ser ouvido aqui. ServiçoA apresentação será às 21h, no Teatro Guaíra, que fica na Rua XV de Novembro, nº 971, no Centro.

Os ingressos custam entre R$ 70 e R$ 300 e podem ser comprados pelo Disk Ingressos. Quer saber mais notícias do estado? Acesse o G1 Paraná
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