Anna Beatriz tem 17 anos e está detida num abrigo em Chicago, após ser barrada pela imigração americana (Foto: Leide Theophilo/Arquivo Pessoal)
A tocantinense Anna Beatriz Theophilo Dutra, 17 anos, tirou o ano para viajar. Desde janeiro, passou por diversos países, mas na última segunda-feira (18), ao chegar nos Estados Unidos, foi barrada pela imigração. Ela teve os pertences apreendidos, foi acusada de ser imigrante ilegal e de ter entrado no país ‘para se encontrar com homem’.

Segundo a mãe, a jornalista Leide Theóphilo, a filha foi levada para um abrigo sem entender o que havia acontecido, já que o visto de turista e a documentação estão regulares.
A assessoria de comunicação do Itamaraty confirmou que Anna está retida em um abrigo e disse que não há previsão de quando ela poderá voltar ao Brasil.

O Consulado-Geral do Brasil em Chicago acompanha o caso.
A família de Anna mora em Palmas.

A mãe contou que a filha terminou o ensino médio no ano passado. As viagens foram um presente dos pais, antes da adolescente ingressar na universidade.

Em janeiro, a moça foi para Argentina onde fez intercâmbio cultural e estudou espanhol, em uma escola, até o mês de março. Destino de Anna era Boston, onde se encontrariacom uma amiga(Foto: Leide Theophilo/Arquivo Pessoal)
A próxima viagem estava programada para o Canadá, em julho deste ano.

Mas Anna resolveu ir para os Estados Unidos este mês, após o convite de uma amiga. “Uma amiga dela a convidou para passear em Boston, onde vive um tio dela.

Elas iriam treinar o inglês e visitar museus. As duas voltariam juntas para Palmas no dia 28 de junho.


Porém, o sonho virou pesadelo. Ao chegar no aeroporto de Detroit na última segunda-feira (18), a adolescente foi barrada pela imigração e levada para um abrigo em Chicago, onde ficam menores apreendidos, conta a mãe.

Leide disse que está tendo pouco contato com a filha. Elas podem conversar uma vez por semana, por telefone, durante 10 minutos.

A ligação deve estar no modo ‘viva voz’.
Na última ligação a menina relatou, emocionada, o que aconteceu no aeroporto.

“O relato que ela me fez aos prantos foi que o pessoal da imigração apreendeu celular, passaporte, dinheiro, todas as roupas, danificou os presentes [que ela iria levar para uma amiga da mãe] e algumas roupas dela. ”
Estou com o coração na mão, ela é a minha única filha”
Leide Theophilo, mãe de menina barrada nos EUAAcusaçãoLeide disse ainda que a filha foi acusada de ter entrado no país para se encontrar com homem.

“A acusaram de ser imigrante ilegal, mesmo com o passaporte e o visto de turista. Acusaram também de ir se encontrar com homem, pegaram senhas dela de redes sociais para checar se havia contato com homens ou possíveis namorados nos Estados Unidos”, relatou.

A mãe disse que quando levaram Anna para o abrigo, informaram que ela ficaria apenas três dias, mas depois afirmaram que ela ficará no local por cerca de um mês.
Sem mais informações, a mãe está desesperada.

“Não fui informada do que se trata. Ela me ligou, mas devido ao nervosismo, estou realmente sem saber o que está acontecendo”, desabafou.

A jornalista explicou que a filha já foi aos Estados Unidos três vezes, inclusive, no mês de janeiro deste ano ela foi a Miami com o pai, Eduardo César Dutra, e depois foi para Nova York se encontrar com a mãe, que passava as férias no local.
“Ela é uma menina inteligente, fluente no inglês, tem facilidade de aprender línguas.

Estou com o coração na mão, ela é a minha única filha”, concluiu. Tocantinense é acostumada a viajar para outros países (Foto: Leide Theophilo/Arquivo Pessoal)Posicionamento do consuladoO assessor de imprensa do Itamaraty informou ao G1, por telefone, que o Consulado-Geral do Brasil em Chicago está em contato com a família e já visitou a garota no abrigo.

Disse também que Anna está no local aguardando retorno para o Brasil, mas que não há uma previsão de quando ela sairá do abrigo. Por ela ser menor e estar desacompanhada, a volta pode demorar mais, conforme as informações.

A assessoria afirmou que o local oferece condições adequadas para a menina, mas que não poderia dar mais detalhes para preservar a privacidade da família.
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