O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) deixa sua residência no Lago Sul por volta das 9h20, levado por agentes da Polícia Federal para a Superintendência da PF em Brasília (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
O ex-senador Gim Argello (PTB-DF), o assessor Paulo Cesar Roxo Ramos e o secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal Valério Neves Campos, que foram presos na 28ª fase da Operação Lava Jato, devem fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) na manhã desta quarta-feira (13), em Curitiba.
Os três estão detidos na carceragem da Polícia Federal (PF) desde a tarde de quarta-feira (12). O exame é procedimento padrão após a prisão.

A atual fase da operação foi batizada de “Vitória de Pirro” e investiga a cobrança de propinas para evitar convocação de empreiteiros em comissões parlamentares de inquérito sobre a Petrobras em 2014 e 2015. Gim, à época, era membro da CPI no Senado e vice-presidente da CPMI, da Câmara e do Senado.

Ele foi senador entre 2007 e 2015. O nome da operação significa uma vitória obtida a alto custo.

O nome dele pareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa. O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS.

As duas empresas são investigadas na Lava Jato.
Os recursos foram enviados a partidos indicados por Gim – DEM, PR, PMN e PRTB – na forma de doações de campanha.

O procurador Carlos Lima afirmou que o esquema de travestir propinas em forma de doações aparentemente legais “já existe e há muito tempo”.
Os investigadores dizem que não há indícios de que os partidos beneficiados sabiam das negociações e da origem ilícita dos recursos.

As siglas, juntamente com o PTB, formaram em 2014 a coligação “União e Força”, pela qual Gim Argello era candidato a novo mandato de senador pelo DF.
Já Paulo Cesar Roxo Ramos e Valério Neves Campos tinham papel fundamental no esquema, segundo o MPF.

“Ambos atuavam como operadores de Gim Argello na negociação e no recebimento de propinas dissimuladas que foram pagas pela UTC. No caso, os representantes deslocaram-se, por diversas vezes, de Brasília para São Paulo, para fazer reuniões na sede da UTC com o fim de apontar a forma pela qual a propina destinada a Gim Argello deveria ser paga”, disseram os procuradores em documento que fundamentou a 28ª fase.

Projeto: alcoólico’Em despacho, o juiz Sérgio Moro autorizou, a pedido do MPF, a quebra do sigilo de dados telefônicos de Gim Argello e de Paulo Roxo.
“A quebra do sigilo de dados telefônicos revelou que Ricardo Ribeiro Pessoa contatou, no dia 28/05/2014, por volta das 15:13, o então Senador Gim Argello por telefone.

Trata-se da mesma data de instalação da aludida Comissão Parlamentar Mista de Inquérito”, argumentou Moro.
O juiz também afirmou que foi identificada uma anotação em uma agenda apreendida com Ricardo Pessoa de um encontro com Gim na casa do ex-senador.

Mensagens trocadas entre executivos da empreiteira OAS, sobre o ex-senador Gim Argello (PTB), mostram apelidos e códigos que eram usados para tratar da propina ao político. Em uma das mensagens, de maio de 2015, Léo Pinheiro diz que precisa atender uma doação de R$ 350 mil para a Paróquia São Pedro, em Taguatinga, reduto eleitoral do ex-senador.

O empresário diz que a mensagem faz parte do “projeto: alcoólico”, uma referência a Gim, segundo os investigadores.
Esse custo foi suportado pelos contratos da OAS junto à Refinaria do Nordeste Abreu e Lima, da Petrobras, afirmou o juiz Sérgio Moro.

Outro ladoO advogado do ex-senador Gim Argello, Marcelo Bessa, disse que ainda não teve acesso ao processo e que, por isso, não vai se pronunciar.
Em nota, a OAS informou que “estão sendo prestados todos os esclarecimentos solicitados e dado acesso às informações e documentos requeridos pela Polícia Federal, em sua sede em São Paulo, na manhã desta terça-feira.

A empresa reforça que está à inteira disposição das autoridades e vai continuar colaborando no que for necessário para as investigações”.
Procurada pelo G1, a UTC Engenharia afirmou que “a empresa não comenta investigações em andamento”.

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