Ribeirinhos de seis comunidades foram consultados pela comitiva de médicos (Foto: John Pacheco/G1)
Médicos do Canadá, Estados Unidos, Japão, Índia e Inglaterra deixaram os consultórios e atravessaram a linha do Equador para atender ribeirinhos no Sul do Amapá. Eles integram uma missão humanitária que durou três dias e ofertou consultas médicas e serviços sociais para moradores de vilas próximas à foz do rio Mazagão, no município de mesmo nome. Carmelita Chagas, de 52 anos, foi atendida pormédicos estrangeiros (Foto: John Pacheco/G1)
Os cerca de 150 atendimentos médicos aconteceram em casas, varandas e passarelas, e nem a barreira do idioma afastou a população.

Muitos moradores disseram nunca ter recebido um médico na região. O posto de saúde mais próximo fica a pelo menos meia hora de barco, além de mais um trecho de estrada de terra, contam os ribeirinhos.

“Fui atendida muito bem. Fiquei até chateada porque não trouxe meus outros filhos, que ficaram em casa e estão precisando [de atendimento] também.

Agradeço porque às vezes a gente gasta o dinheiro que não tem com uma consulta e ainda é mal atendida. Aqui foi de graça e foi satisfatório”, disse Carmelita Chagas, de 52 anos, que recebeu cuidados para a hipertensão.

Cerca de 150 atendimentos foram feitos durante três dias na região (Foto: John Pacheco/G1)
O único acesso ao local onde aconteceram as consultas é por meio dos rios, e pouco a pouco os ribeirinhos de seis comunidades – Foz do Rio Mazagão, Rio Mutuacá, Rio Espinel, Igarapé Grande, Urubueno e Maracá-Mirim – foram chegando, seja de canoa, catraia ou lancha. As filas foram poucas, pois onde tinha público, as consultas e os serviços aconteciam.

Cátia Pereira (de azul) e Maria Bernadete receberamremédios (Foto: John Pacheco/G1)
Foram feitas medições de pressão até ações mais complexas aconteceu em um local isolado da cidade, como exames de eletrocardiograma. Os médicos também distribuíram remédios como analgésicos e para doenças comuns na região, como caspa e vermes.

As donas de casa Maria Bernadete, de 56 anos, e Cátia Pereira, de 41, levaram medicamentos para prevenção para toda a família.
“Vou levar um para dor nas ‘juntas’ que a médica disse que tenho e um para caspa também para minha filha.

Nunca tinha recebido um atendimento desses”, comentou Maria.
Já Cátia Pereira conta que tinha dificuldade em conseguir todos os remédios na rede pública.

“Fui bem atendida. No posto muita coisa era difícil de conseguir”, diz a dona de casa.

Cardiologista Rachel Nina, de 47 anos, orientou moradores sobre uso de filtro (Foto: John Pacheco/G1)
A médica brasileira Rachel Nina, de 47 anos, participou pela terceira vez de uma ação solidária da CardioStart. As duas primeiras, segundo ela, aconteceram em São Luís, no Maranhão, e no Nepal, país localizado no Centro da Ásia.

Junto com os profissionais estrangeiros, ela destacou o acolhimento do povo ribeirinho.
“A receptividade foi ótima.

Algumas pessoas vieram se consultar e conseguimos fazer muitas coisas, outras não conseguimos fazer, pois não se tinha tanto recurso. Notamos que aqui se come muito doce e muito sal.

Às vezes os ribeirinhos até jogam direto em cima do alimento. Orientamos também sobre o tratamento da água e o uso de banheiros”, relata.

Missão identificou pessoas com pressão alta e com doenças por água contaminada (Foto: John Pacheco/G1)
Alguns ribeirinhos receberam e foram orientados a usar um balde com filtro para utilizar na água coletada do rio para consumo e na preparação de alimentos. Uma das mulheres que recebeu o filtro da missão solidária, foi a dona de casa Josiele Lopes, de 22 anos, da comunidade de Igarapé Grande.

Pacientes receberam medicamentos, orientações dea ações sociais (Foto: John Pacheco/G1)
“Com certeza vai diminuir a questão dos vermes nas crianças, porque essa água que usamos a minha família está passando mal, mesmo a gente tratando com cloro. Dá coceira, dor de barriga, tentamos evitar beber tanto, mas não tem como”, completa Josiele.

 
Ainda de acordo com a médica Rachel Nina foram identificadas muitas pessoas com pressão alta que não tomavam o medicamento de forma regular. A passagem pelo interior, de acordo com ela, apontou que os ribeirinhos sofrem de males resultantes do trabalho na mata.

“A população que mora, na beira do rio come muita gordura. Eles têm a presença muito grande de peixes, mas não comem tanto.

Outra coisa que se queixaram muito foi de dores generalizadas, pois trabalham muito braçalmente, com a pesca, com o açaí e eles não têm o costume de se alongarem muito”, conclui a médica, após o fim dos atendimentos no sábado (23).
A missão contou ao todo com 25 profissionais, onde, além dos médicos, psicólogos, enfermeiros e estudantes da área da saúde integraram as atividades.

O grupo faz parte da organização voluntária CardioStart Internacional. Junto com a ação no interior, os médicos realizam um mutirão de cirurgias cardíacas em Macapá, que segue até 29 de abril.

Foz do rio Mazagão foi o local onde aconteceram os atendimentos (Foto: John Pacheco/G1)
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