Professor aguarda há 5 meses para fazer cirurgia no rosto após acidente de carro (Foto: Jéssica Alves/G1)
O professor Jefferson Fonseca, de 46 anos, corre risco de ficar cego se não fizer, com urgência, segundo ele, uma cirurgia no rosto. Ele já perdeu a visão do olho esquerdo quando fraturou os ossos da face num acidente de trânsito em dezembro de 2015, em Macapá. Há cinco meses, Fonseca aguarda pelo procedimento cirúrgico, que não acontece por falta de material ortopédico na rede pública do Amapá.

 
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou que as cirurgias ortopédicas estão suspensas, e disse que “o processo licitatório para a contratação de fornecimento de materiais ortopédicos está em fase de finalização, e que o pregão será realizado nesta quinta-feira, 12”.
Fonseca contou que fraturou os ossos da face, quebrou o maxilar e um dos globos oculares afundou dentro do crânio, o que provocou a perda da visão no olho esquerdo.

Desde o acidente ele não consegue trabalhar, e diz que sente fortes dores no rosto.
“Minha dentição está toda folgada e com isso tive que mudar minha alimentação.

Fora que tenho constantes dores no rosto porque os ossos da face estão fora do lugar. Isso mudou completamente minha rotina”, lamentou.

Radiografias mostram lesões nos ossos da face do professor (Foto: Jorge Cardoso/Arquivo Pessoal)
“Sou professor e por causa do acidente parei de trabalhar. Não enxergo direito e o médico disse que se não fizer a cirurgia com urgência, perderei a visão do lado direito.

Estou passando por todo esse dilema porque não resolvem o problema do material”, completou. Hospital de Clínicas Alberto Lima, em Macapá(Foto: Abinoan Santiago/G1)
O professor contou que procurou por diversas vezes o Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal), em Macapá, mas foi informado de que não havia material para a cirurgia.

Ele disse que ficou oito dias internado no hospital após o acidente, mas, por causa da falta de material, recebeu alta para continuar o tratamento em casa. Desde então, falou que tentou outras três vezes agendar a cirurgia para enxerto de pele, mas sem sucesso.

“Quando tentei as três vezes os responsáveis alegaram que não tinha material, porque o governo não tinha repassado o dinheiro para a empresa responsável, que recolheu todo o equipamento, e, assim, não fiz minha cirurgia”, reclamou.
Para tentar reverter a situação no olho esquerdo, solicitou o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), porque, segundo o médico que o atendeu, o procedimento só pode ser realizado nas cidades de Goiânia ou São Paulo.

A secretaria de Saúde informou que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi proposto à empresa fornecedora do material. O documento, segundo a instituição, está “sob análise da Controladoria Geral do Estado (CGE).

Posteriormente, será encaminhado à Sesa que dará continuidade às exigências legais para a execução dos pagamentos”.
Sobre os pacientes que tiveram as cirurgias canceladas, a Sesa informou que os procedimentos serão reagendados.

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