Sobrepreço foi investigado pelo Ministério Público Federal (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Investigações do Ministério Público Federal (MPF) revelaram que centenas de remédios foram comprados pela Secretaria da Saúde com preços superfaturados entre 2012 e 2014, no Tocantins. Muitos medicamentos não chegaram a ser entregues e a falta de remédios é uma das constantes reclamações no estado.
Uma investigação dos auditores do Sistema Único da Saúde e do MPF apontou que o setor de oncologia do Hospital Geral de Palmas (HGP), foi um dos mais prejudicados pela má gestão nos últimos anos.

Os auditores descobriram que remédios pagos pela Secretaria de Saúde (Sesau) não foram entregues. Outros foram comprados de forma irregular, com preços acima do normal.

Um medicamento para tratar doenças do coração teve 533% de superfaturamento. Um outro, receitado para pacientes com convulsões, foi comprado com valor 405% a mais do normal.

Equipamentos também estão nessa relação. Uma sonda de aspiração, por exemplo, foi comprada com 438% de superfaturamento, segundo os auditores.

“Esses materiais não eram entregues e eram comprados em valores muito superfaturados. Alguns produtos foram comprados com mais de 9000% de sobrepreço”, explicou a procuradora da república Renata Batista.

PacientesManoel Francisco da Silva, de 80 anos, faz tratamento contra um câncer de próstata. Há quatro meses ele está sem tomar um remédio essencial porque está em falta no HGP.

A medicação custa mais de R$ 500 e com o dinheiro da aposentadoria ele conta que não tem como pagar. “O mal vai aumentando e o fim é morrer.

Se você não tomar o remédio. ”
Assim como o homem, Dalva Lima Gomes foi ao hospital tentar pegar um remédio para o tratamento contra um câncer de mama, mas voltou para casa sem nada.

Ela vive há cerca de 100 km de Palmas e conta que o remédio já faltou três vezes. “A gente confia nessa medicação e fica nervosa de não tomar.

Parece que começa a sentir alguma coisa”, afirmou. Falta de medicamentos no HGP é recorrente(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)EntendaDepois de um ano de investigações, a procuradoria da república reuniu provas de um suposto esquema de corrupção na gestão da saúde do Tocantins.

Até agora, 25 ações foram propostas. A Justiça Federal já atendeu um pedido do MPF para bloquear imóveis, veículos e dinheiro das contas bancárias dos denunciados.

A procuradoria quer que os envolvidos paguem mais de R$ 4 bilhões referente aos danos causados e às multas. Foram denunciados, o ex-governador Siqueira Campos, os ex-secretários Vanda Paiva, Luiz Antônio Ferreira, Marcio Carvalho, José Gastão Neder e o ex-diretor Luiz Renato Pedra.

Além deles, 13 empresas também foram denunciadas. Todos os acusados pelo MPF disseram que, depois de notificados, pretendem recorrer da decisão judicial.

MedicamentosSobre a falta dos remédios, a Secretaria da Saúde disse que o fornecedor não entregou no prazo estipulado e por isso uma nova empresa foi contratada para fornecer os medicamentos. Porém, o Estado não deu uma data de quando os pacientes citados na reportagem poderão retomar o tratamento.

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