Secretário Wagner Mesquita afirmou que investigações estão praticamente concluídas (Foto: Leopoldo Karam/RPC)A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp-PR) considera que as investigações sobre as 12 mortes registradas no fim de janeiro deste ano em Londrina, no norte do Paraná, estão praticamente concluídas. Nesta sexta-feira (13), oito policiais militares foram presos. Segundo a Sesp-PR, há provas suficientes e concretas que dão respaldo às prisões.

“Temos provas em vídeos, áudios e também resultados positivos de confrontos balísticos que levam aos policiais alvo desta operação. ”, explica o secretário de Segurança Pública Wagner Mesquita.

Segundo a Polícia Civil, ainda não é possível apontar a autoria dos disparos, pois os policiais militares investigados são suspeitos de alterarem os locais dos crimes. Não foram encontradas cápsulas de munição utilizadas nos assassinatos e imagens de câmeras de segurança.

Os investigadores descobriram ainda que um aparelho que gravava imagens de um dos locais foi subtraído. Para chegar até os policiais suspeitos, os investigadores utilizaram imagens de câmeras de segurança de uma casa que fica perto de um dos locais onde ocorreu um homicídio.

“As imagens mostram um policial sendo deixado por um grupo de amigos em casa. O grupo deixa o imóvel, e logo depois mata uma das vítimas.

Descobrimos também que em um confronto realizado no dia 12 de março, entre policiais militares e um suspeito de furtar chácaras, uma arma encontrada no local do confronto foi utilizada no dia 26 de janeiro, após uma tentativa de homicídio contra um policial. Essa arma teria sido plantada pela equipe policial, não pertenceria ao suspeito”, diz o delegado-geral da Polícia Civil, Júlio Mesquita.

A Polícia Militar do Paraná abrirá processos administrativos contra os policiais envolvidos. Se for comprovado a participação deles nos crimes, eles poderão ser expulsos da corporação.

OperaçãoA operação foi deflagrada pela Polícia Civil e Polícia Militar (PM). Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão temporária, 25 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento.

Durante o cumprimento de dois mandados de condução coercitiva, dois policiais foram presos por porte ilegal de munição. Seis policiais ainda permanecem presos e estão detidos no 5° Batalhão da Polícia Militar.

Os dois militares presos por porte ilegal pagaram fiança e foram liberados. A única pessoa que não é policial está detida no 4° Distrito da Polícia Civil.

Família protestaCom a revelação do suposto envolvimento dos policiais nos assassinatos, a família de uma das vítimas fez um pequeno protesto na tarde desta sexta-feira (13). Com cartazes pedindo justiça, quatro pessoas ficaram em frente a um hotel onde a comitiva da Sesp-PR estava.

A esposa, sogra e irmã de Walcy Gomes Souza Júnior, que era auxiliar de funileiro em uma empresa, querem justiça. “Depois que todo mundo jantou, escutamos os tiros.

Quando saímos para ver o que era, vimos gente baleada e morta. Foi horrível.

Queremos justiça. A minha filha e a minha irmã, de 9 anos, estavam com a gente e por pouco não ficaram feridas”, enfatiza Eluana Ferreira de Vasconcelo.

Uma das vítimas, Paulo César de Oliveira, também esteve no protesto. Ele levou três tiros e ficou 50 dias internado no hospital Santa Casa de Londrina.

Paulo diz que tudo ocorreu muito rápido. “Estávamos  em um churrasco só entre amigos, e de repente os tiros começaram.

Acho que fui o primeiro a ser atingido. Foi tudo muito rápido”, lembra o rapaz, que alega não ter passagens pela polícia.

Força-tarefaUm dia após a série de mortes, a Secretaria da Segurança Pública e Adminitração Penitenciária do Paraná (SESP-PR) montou uma Força-Tarefa para investigar os crimes. O grupo foi composto por policiais civis, militares e representantes da corregedoria da Polícia Militar.

Ainda em fevereiro, o comando da Polícia Militar não descartou a participação de policiais nas mortes e disse que a investigação seria minusciosa. Em abril, um rapaz suspeito de atirar e matar o policial militar Cristiano Luiz Bottino foi preso em Navegantes, em Santa Catarina.

O suspeito foi preso pelo setor de Inteligência da Polícia Civil do Paraná e pela equipe da delegacia de Homicídios de Londrina.  
.