Rafael Freitas Martins ao lado da mãe, após ser preso por engano (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
Um analista de produção foi preso por engano em Vilhena (RO), após ter seu nome associado ao de um foragido da Justiça, suspeito de latrocínio e tráfico de drogas. Segundo Rafael Freitas Martins, de 26 anos, ele foi detido em uma blitz na cidade no último final de semana. Mesmo afirmando ser inocente, o homem foi levado ao Albergue, onde ficou detido por cinco dias.

“Fui solto porque um defensor público desconfiou do caso e me ajudou”, afirma. Conforme o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), um erro de digitação no sobrenome de Rafael causou toda confusão.

No mandado de prisão, expedido em 2015, ao invés de digitar “Rafael Freitas de Mattos”, que é o suspeito procurado, foi digitado “Rafael Freitas Martins”.
Segundo o trabalhador,  a prisão aconteceu no sábado (6), quando ele andava de carro em Vilhena e foi abordado em uma blitz da Polícia Militar (PM).

“O policial me falou do mandado de prisão em meu nome, mas eu não acreditei. Cheguei até dar risada.

Eu disse que não tinha boletim nenhum contra mim e que era uma pessoa honesta”, relembra Rafael.
O policial chegou a conferir novamente no sistema se havia um erro, porém, ao ver que o mandado era realmente para aquele nome, decidiu conduzir Rafael Martins à delegacia local.

Mandado de prisão com sobrenome errado foi expedido em 2015 (Foto: TJ-RO/ Reprodução)
“Lá eles constataram que eu já havia sido julgado em um processo por tráfico de drogas e latrocínio. Mesmo assim, nessa altura do campeonato, eu ainda achava que aquilo tudo era uma brincadeira.

Quando eu fui algemado é que vi que o negócio era sério mesmo”, conta a vítima.
Após procedimentos na delegacia, Rafael foi encaminhado para o Albergue de Vilhena, onde permaneceu em uma cela comum durante cinco dias.

Na segunda-feira (9), ele conta que conseguiu falar com um juiz e explicou a situação.
“Ele disse que o crime havia ocorrido em outubro de 2015, em Porto Velho.

Eu falei para ele que nessa data eu estava morando em Goiás e que aquilo era um erro. Porém, ele olhou para o promotor, deu risada, e disse de um jeito irônico ‘aqui não tem nenhum bandido, todo bandido aqui é inocente’.

Eu baixei a cabeça e sai da sala”.
Durante a audiência de custódia, que aconteceu na terça-feira (10), o defensor público, George Barretos, ao ouvir a história de Rafael, começou a desconfiar da situação e procurou a assessoria da Defensoria Pública para que conferisse a veracidade dos fatos junto com as autoridades de Porto Velho.

Rafael relembra dificuldade para provar inocência(Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
Após identificarem o erro, Rafael saiu da prisão no dia seguinte. A mãe da vítima, Divina Freitas da Silva, contou emocionada que ficou em choque ao saber tudo o que o filho havia passado.

“Quando eu lembro disso fico triste, porque meu filho não mereceu isso. Eu acho que a justiça tem que ser feita, mas de modo adequado conforme as pessoas devem”, disse Divina.

Erro na digitaçãoDe acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ-RO), o que ocasionou toda a confusão foi um erro no registro do nome do foragido. No mandado de prisão emitido no ano de 2015, ao invés de digitarem “Rafael Freitas de Mattos”, digitaram “Rafael Freitas Martins”.

Ao G1, Rafael disse que entrará com um processo na justiça contra as pessoas que estiveram envolvidas no erro.   “É revoltante, né? Na hora pensei demais no meu emprego.

Eu tenho um cargo de liderança na empresa em que eu trabalho. Pensei também na minha mãe, na minha filha.

Pensei que tudo o que havia construído até agora iria ser desmoronado”, desabafou.
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