Gim Argello foi preso na 28ª fase da Operação Lava Jato (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)
A Justiça Federal prorrogou por 15 dias o prazo para a Polícia Federal (PF) concluir inquérito que investiga o ex-senador Gim Argello (PTB-DF). O prazo inicial vencia nesta terça-feira (26), mas a juíza federal substituta Gabriela Hardt atendeu solicitação da PF e estendeu o limite para conclusão da investigação até o dia 11 de maio.
Hardt substitui o juiz Sérgio Moro, que está em viagem.

No despacho ela alerta a PF que não haverá nova prorrogação de prazo, e que é desejável que não sejam utilizados todos os 15 dias para a conclusão do inquérito.
A PF pediu mais tempo porque precisa analisar o conteúdo apreendido através das dezenas de mandados de busca e apreensão expedidos na 28ª fase da Operação Lava Jato.

“Razoável, então, não ter havido tempo hábil para a análise de todo o material apreendido, conforme noticia a autoridade policial, sendo salutar a concessão do prazo adicional previsto em lei para a finalização da investigação”, afirmou a juíza. SilêncioGim Argello (PTB-DF) ficou em silêncio no interrogatório a que foi submetido pela Polícia Federal (PF) na segunda-feira (25), em Curitiba.

O advogado Marcelo Bessa, que acompanhou a oitiva, afirmou que Argello optou por não responder aos questionamentos que seriam feitos, e que não adiantaria a estratégia da defesa.
Este foi o primeiro depoimento de Argello à PF desde que foi preso preventivamente, no dia 12 de abril, na 28ª e mais recente fase da Operação Lava Jato.

Ele segue preso por tempo indeterminado na Superitendência da PF em Curitiba, uma vez que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou liminarmente habeas corpus impetrado pela defesa do ex-senador.
A 28ª fase, deflagrada em 12 de abril e batizada de “Vitória de Pirro”, investiga a cobrança de propinas para evitar a convocação de empreiteiros em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sobre a Petrobras, entre 2014 e 2015.

Gim, à época, era membro da CPI no Senado e vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista (CPMI), da Câmara e do Senado. Ele foi senador entre 2007 e 2015.

O nome da operação significa uma vitória obtida a alto custo.
Conforme os investigadores, o nome de Gim Argello apareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa.

O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS. As duas empresas são investigadas na Lava Jato.

Os recursos foram enviados a partidos indicados por Gim – DEM, PR, PMN e PRTB – na forma de doações de campanha. O procurador Carlos Lima afirmou que o esquema de travestir propinas em forma de doações aparentemente legais “já existe e há muito tempo”.

Os investigadores dizem ainda que não há indícios de que os partidos beneficiados sabiam das negociações e da origem ilícita dos recursos. As siglas, juntamente com o PTB, formaram em 2014 a coligação “União e Força”, pela qual Gim Argello era candidato a novo mandato de senador pelo DF.

Outros presosNa 28ª fase da operação, também foram presos o assessor de Gim, Paulo Cesar Roxo Ramos, e o ex-secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Valério Neves Campos. Eles tinham papel fundamental no esquema, de acordo com o MPF.

“Ambos atuavam como operadores de Gim Argello na negociação e no recebimento de propinas dissimuladas que foram pagas pela UTC. No caso, os representantes deslocaram-se, por diversas vezes, de Brasília para São Paulo, para fazer reuniões na sede da UTC com o fim de apontar a forma pela qual a propina destinada a Gim deveria ser paga”, disseram os procuradores em documento que fundamentou a 28ª fase.

Paulo e Valério foram liberados no dia 15 de abril. Segundo os advogados, ambos afirmaram em seus depoimentos que são inocentes de quaisquer crimes apontados contra eles.

Ao decidir liberá-los, Sérgio Moro, juiz responsável pelos processos da Lava Jato em 1ª instância, afirmou que ambos podem voltar a ser ouvidos “em curto prazo”.
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