Morador de Formiga, MG, Fernando Couto foi encontrado morto na Argentina (Foto: Facebook/Reprodução)
Foi cremado nesta quarta-feira (11) em Buenos Aires, na Argentina, o corpo do brasileiro Fernando Couto, de 36 anos, encontrado morto em um apartamento há 19 dias. Informações apuradas junto à polícia portenha e fornecidas à família pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) dão conta que estudante de medicina nascido em Formiga, no Centro-Oeste de Minas, morreu após inalar gás vazado de um chuveiro. O  Instituto Médico Legal (IML) da capital liberou o corpo à família brasileira nesta terça-feira (10).

O Itamaraty informou ao G1 que orienta a família sobre procedimentos a serem adotados, mas se negou a divulgar outros detalhes do caso.  
A mãe e a mulher do mineiro de Formiga chegaram a Buenos Aires na segunda-feira (9) e providenciaram os documentos necessários para a liberação do corpo.

Elas viajaram após receberem orientações do Itamaraty. Marcelo Couto, irmão de Fernando, disse que os pais decidiram pela cremação.

“Já se passou tempo demais para trazer o corpo de volta ao Brasil. Na noite de ontem um padre foi chamado para realizar uma missa de corpo presente”, disse.

Já se passou tempo demais para trazer o corpo de volta ao Brasil. Na noite de ontem um padre foi chamado para realizar uma missa de corpo presente.

Marcelo Couto, irmão
A família ainda não decidiu o que fazer com as cinzas de Fernando. A mãe e a mulher dele devem continuar em Buenos Aires até sexta-feira (13).

Nestes dois dias após a cremação elas deverão cuidar de assuntos burocráticos, como providenciar a certidão de óbito e recolher objetos pessoais de Fernando, que ainda estão no apartamento que ele havia alugado.
Ainda segundo Marcelo Couto, a família está focada no encerramento das atividades de Fernando no país vizinho e no retorno dos parentes que estão lá.

“Tudo o que sabemos até agora é o que o Itamaraty nos informou. O meu irmão teria morrido por inalação de gás.

Não estamos nos preocupando em questionar isso, pois meu irmão morreu e isso não vai mudar. Acredito que as autoridades argentinas farão o que é certo.

A gente só precisa esperar”, acrescentou.
O Itamaraty repetiu ao G1 que o Consulado-Geral do Brasil em Buenos Aires acompanha o caso e presta assistência à família, mas se negou a confirmar as informações fornecidas pelo irmão de Fernando, com a alegação de que não pode fornecer informações de caráter privado sem autorização da família.

Durante a noite ele contou que havia acabado de tomar o primeiro banho quente lá. Pelo que tudo indica, houve algum tipo de vazamento de gás e ele inalou tudo isso enquanto dormia.

Marcelo Couto, irmãoTinha ido estudarFernando Couto era casado, mas não tinha filhos. Formado em veterinária, resolveu trancar um curso de ciência da computação no Brasil e viajar à Argentina para estudar medicina.

Não tinha parentes no país vizinho, mas fez amigos lá.
Ele havia chegado a Buenos Aires 15 dias antes de morrer.

Segundo Marcelo Couto, ele havia comentado com a esposa, que ainda estava no Brasil, sobre um defeito no chuveiro do apartamento que alugou.
“Ele disse que vinha tomando banhos frios porque o chuveiro estava com problema.

No dia anterior à morte, ele chamou um bombeiro para fazer a manutenção. Durante a noite ele contou que havia acabado de tomar o primeiro banho quente lá.

Pelo que tudo indica, à noite houve algum tipo de vazamento de gás e ele inalou tudo isso enquanto dormia”.
O tipo de gás supostamente inalado não foi divulgado.

“Segundo as informações que recebemos do Itamaraty, não havia nenhum tipo de sinal de violência. Esse laudo descarta qualquer outra hipótese, como assassinato, latrocínio [roubo seguido de morte] ou suicídio.

Meus pais são médicos e disseram que a pessoa que sofre intoxicação por gás não percebe o que está acontecendo. Ela desmaia, sofre parada cardíaca e morre.

A gente sabe que foi uma fatalidade”, disse o irmão.
Procurado pelo G1, o Itamaraty não confirmou o conteúdo do e-mail citado pelo irmão de FernandoProcedimentos para liberaçãoNo Brasil, parentes de Fernando providenciaram os papéis exibidos pelo Itamaraty para a liberação do corpo.

A previsão inicial é de que isso ocorresse no dia 4 de maio, mas não se confirmou. A família continuou aguardando novas informações por parte do órgão responsável por intermediar relações de brasileiros com órgãos em outros países.

Parentes e amigos contaram que Fernando Couto gostava de pedalar nas horas vagas. Fator que, segundo a família, foi determinante para que ele sempre tivesse boa saúde.

Marcelo afirma que o irmão não tinha problemas que justificassem algum tipo de cuidado médico. Por isso, a primeira hipótese para o crime foi de que ele tivesse sofrido um mal súbito.

Mensagem deixada em página de Fernando Couto após notícia de sua morte (Foto: Facebook/Reprodução)
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