Pacientes em espera no Hospital de Urgênca de Teresina (Foto: Leo Torres / Ascom)
A direção do Hospital de Urgência de Teresina (HUT) afirmou ao G1 nesta segunda-feira (16) que em média três pessoas chegam diariamente com liminar judicial, obrigando a unidade de saúde a liberar vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O problema, segundo o diretor Gilberto Albuquerque, é que em muitos casos o paciente não possui indicação médica para ser internado em uma unidade de tratamento intensivo. Gilberto Albuquerque, diretor do Hospital deUrgência de Teresina (HUT) (Foto: Fernando Brito)
De acordo com os dados do Datasus, o Piauí conta com 309 leitos de UTI’s, sendo 180 do Sistema Único de Saúde (SUS), menos da metade do que é preciso, segundo o que preconiza o Ministério da Saúde.

Conforme o diretor do HUT, cerca de 10 pessoas por dia precisam de uma UTI na unidade de saúde. “Os mandados judiciais só chegam à unidade de saúde quando não há oferta de UTI para o paciente.

O problema é que muitas vezes eu sou obrigado a colocar um paciente em uma unidade de terapia intensiva sendo que ele não é prioridade frente a outros que possuem uma situação mais grave. E isso tira o benefício de quem necessita com urgência de uma UTI”, contou o diretor.

Ainda de acordo com o diretor, pacientes que não conseguem um leito ficam em salas de recuperação ou em salas semi-intensivas aguardando uma UTI ser desocupada. Segundo a direção do hospital, o HUT está construindo mais 20 leitos e outros 20 estão em processo licitatório.

De acordo com os dados, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, dos 180 leitos que o estado possui atualmente, 150 estão na capital e os outros 30 estão divididos igualmente nas cidades de Piripiri, Floriano e Parnaíba. Segundo a diretora da Associação, Patrícia Melo, esses leitos não funcionam a contento porque faltam equipamentos e pessoal treinado.

Patrícia Melo, diretora da Associação de MedicinaIntensiva Brasileira (Foto: Fernando Brito/G1)Piauí possui menos da metade de leitos que o Minis-tério da Saúde preconiza (Foto: Reprodução EPTV)
“Esses leitos do interior, muitas deles precisam de melhorias quanto à questão de infraestrutura porque não fazem serviços básicos necessários para o funcionamento ideal de uma UTI, como diálises, tomografias, além de exames laboratoriais e de radiografia. O que é preciso ser feito é a otimização do trabalho desenvolvido nessas unidades, tanto com a ampliação e adequação com o treinamento dos profissionais”, contou.

O diretor do HUT, Gilberto Albuquerque ressaltou que esse problema no interior do estado acaba prejudicando o trabalho na unidade de saúde na capital. Ele confessou que o HUT acaba ficando superlotado por conta da transferência dos pacientes do interior para a capital, uma vez que essas unidades de tratamento intensivo não oferecem todos os serviços necessários.

“Nós temos leitos de UTI três vezes mais do que o Ministério da Saúde preconiza. Se nós colocamos leitos a mais é porque em algum lugar está faltando.

O que é preciso fazer é que o estado trabalhe na ampliação, construção e adequação dos leitos. Há mais de 13 anos não se ver uma novidade porque o estado está acomodado com a saúde”, finalizou.

Segundo o diretor de organização hospitalar da Secretaria de Saúde do PIauí (Sesapi), Alderico Tavares, mais de 250 leitos de UTIs serão entregues no Piauí até o fim do ano. Ele contou que serão entregues 24 no Hospital Getúlio Vargas (HGV), 10 leitos no Hospital da Polícia Militar (HPM), mais 10 leitos no Instituto Natan Portela além de 100 leitos nas cidades de Picos, Parnaíba, Oeiras e São Raimundo Nonato.

De acordo com o diretor, a Maternidade Dona Evangelina Rosa também receberá novos leitos. Serão 20 leitos para adultos, 30 neonatais, 45 leitos para cuidados intermediários e 20 leitos de tratamento canguru.

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