Leila comprou loja especializada em alimentos para alérgicos para garantir alimentação do filho e de outras crianças doentes (Foto: Inaê Brandão/ G1 RR)
A alegria da fisioterapeuta Leilla Matos, de 31 anos, ao ter o primeiro filho foi logo substituída por preocupação quando o primogênito Enrique foi diagnosticado com uma severa alergia ao leite. Para garantir a qualidade de vida do filho, Leilla teve de passar por mudanças drásticas na rotina e comprou a única loja em Boa Vista especializada em alimentos para alérgicos, que estava prestes a fechar.
Em razão da alergia, Enrique, de 2 anos, apresentava problemas respiratórios e na pele sempre que entrava em contato com o alimento.

Mesmo produtos sem leite não podiam ser preparados em recipientes que tivessem contato com o nutriente. A criança foi diagnosticada com alergia à proteína do leite de vaca (APLV) ao cinco meses.

“As vezes se a gente comia algo com leite e o beijava ele ficava com irritação na pele. Era uma coisa nova para mim.

Tive que correr atrás e ir estudar. Nessa época não existia a loja especializada em alérgicos na cidade”, disse Leilla.

As vezes quero abrir mão do lucro porque sei que alguns pais não tem condições de comprar. Mas tenho que pensar como empresária, porque se a loja fechar ficaremos sem os produtos novamente”
Leila Evangelista, empresária e mãe
Para se adaptar ao filho e continuar se alimentado, a empresária teve que se adequar.

“A gente não percebe, mas tudo tem leite. Eu não podia comer quase nada.

Não é só queijo e manteiga, até refrigerante tem traços de leite”.
Além da dificuldade, Leilla conta que a maioria das pessoas não entendem o problema.

“As pessoas acham que é frescura até ver ele comendo o que não pode e ficando doente. Deixei de sair de casa e quase entrei em depressão porque era muito difícil para mim e uma tortura para ele”, lembrou.

EmpreendimentoNo primeiro ano de vida de Enrique a loja especializada em alimentos para alérgicos abriu na capital e aliviou a situação da família. Entretanto, cerca de um ano após a inauguração, o empreendimento fecharia as portas.

“Eu fiquei desesperada pensando no Enrique e nas outras mães que dependiam da loja. Vi uma oportunidade e resolvi comprar”, disse a fisioterapeuta contanto que a família teve que fazer um esforço financeiro para juntar o dinheiro e dar entrada na loja.

Há seis meses na administração do empreendimento, o lado empresária e o lado mãe travam uma batalha interna em Leilla.
“Ainda não consigo tirar muitos lucros da loja.

Eu, como mãe de alérgico, entendo os pais. As vezes quero abrir mão do lucro porque sei que alguns pais não tem condições de comprar.

Mas tenho que pensar como empresária, porque se a loja fechar ficaremos sem os produtos novamente”.
Além de vender os produtos, Leilla mantém nas redes sociais um grupo de mães onde divulga os produtos da loja e principalmente ajuda outras mães que precisam de informações sobre a APLV.

Loja oferece produtos de panificadora sem leite,ovos e soja (Foto: Inaê Brandão/ G1 RR)
Ao G1, a empresária explicou que, apesar de a doença não ter cura, ela tende a desaparecer com os anos. “Hoje em dia o Enrique já consegue comer coisas com leite, mesmo assim não penso em fechar a loja porque sei que muitas pessoas dependem dela”.

Produtos da lojaA franquia especializada em produtos para alérgicos é voltada principalmente para pessoas intolerantes ao leite, mas possui produtos para os mais diversos tipos de alergia. Entre os alimentos, estão os industrializados como biscoitos, pastas, iogurtes, queijos e manteigas.

Leilla também possui uma padaria que produz bolos, pães, pizzas e outros alimentos sem leite, ovos e soja que são vendidos na loja. Lá também é possível encontrar produtos de estética, para alergias respiratórias e até bijuterias que não causam irritação.

Mais informações podem ser adquiridas através do telefone (95) 98122-7416.
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