Grevistas na porta da Prefeitura de Divinópolis na última semana (Foto: Sintram/Divulgação)
O movimento feito por grevistas na porta da Prefeitura de Divinópolis para manifestar contra a administração virou caso de polícia. Insatisfeitos com o tumulto, alguns moradores próximos a região central registraram Boletim de Ocorrência na Polícia Militar (PM), reclamando do barulho. A assessoria do Sindicato informou nesta segunda-feira (11) que está procurando praticar os níveis toleráveis de som em ambiente público e aberto.

Os servidores estão em greve há 11 dias. Eles pedem recomposição salarial de 11,27%, mas o prefeito Vladimir Azevedo mantém a posição de que só abrirá para diálogo depois que os servidores pararem a greve e voltarem a trabalhar.

“Dança e som alto na porta da Prefeitura perturbando o sossego alheio não resolve nada”, declarou o prefeito, na última coletiva com a imprensa.
Há cerca de mil servidores nas ruas, como afirmou a assessoria do Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram) ao G1.

Servidores da Educação também continuam em greve. A reportagem tentou e não conseguiu contato com a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal de Divinópolis (Simted) até o fechamento da reportagem.

Barulho e som altoO morador José Onésio, que registrou o Boletim de Ocorrência, disse que vários comerciantes estão incomodados com o trio elétrico posicionado na porta do Executivo e por conta disso já fizeram até um abaixo assinado. “É muito barulho, fica difícil demais para trabalhar.

Sei que estão no direito deles, mas estão incomodando com esse trio elétrico, com  o som alto, com apitos e gritos”, destacou. Ele presta auxílio em uma financeira na região central.

Uma vendedora que não quis ser identificada disse que está perdendo clientes no comércio por conta da greve. “Estou perdendo freguês, porque as pessoas chegam para comprar e desistem por conta do barulho, porque o vendedor não escuta.

Eu tenho que entrar no banheiro para usar o telefone e anotar os pedidos. Além do mais não tem nem como descarregar mercadoria porque a rua está uma bagunça.

Eles pegam o microfone e gritam. Está fora do normal”, destacou.

Outra comerciante que também prefere não ser identificada disse que espera que os servidores tenham sensibilidade com as pessoas ao redor. “Sabemos que eles estão reivindicando os direitos deles, mas tem idosos na região.

Não é só o comércio que está prejudicado o barulho causa estresse e mal estar a qualquer pessoa”, destacou. Servidores protestam na Antônio Olimpio de Morais,no Centro (Foto: Ricardo Welbert/G1)SintramA diretoria do Sintram informou, por meio de nota, que vários populares e comerciantes têm usado o microfone da manifestação para expressar o descontentamento em relação à administração municipal.

E também apoiando a causa dos trabalhadores, que é legítima e legal, já que estão reivindicando as perdas salariais do período, conforme compromisso firmado pelo prefeito Vladimir, o que é direito garantido na Constituição Federal.
O Sintram disse também que reforça o compromisso dos servidores municipais com o serviço público, e entende os transtornos, mas esclarece que a diretoria do sindicato e os trabalhadores estão na porta da Prefeitura como saída ao anúncio do prefeito Vladimir.

Em respeito ao barulho, o sindicato disse também que está procurando praticar os níveis toleráveis de som em ambiente público e aberto, não extrapolando o horário de 17h e sugere, mais uma vez, que o prefeito abra negociação com os servidores dando fim a greve, e que a cidade volte a seu funcionamento normal não causando nenhum transtorno aos servidores, comerciantes e população. ExecutivoO prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) afirmou, na última coletiva com a imprensa, que a greve dos servidores municipais é “descabida e fora da realidade”.

Ele disse que só irá negociar com a categoria, parcialmente paralisada há 11 dias, quando os trabalhos forem retomados.
Em pronunciamento, o prefeito disse que o reajuste geraria um impacto da ordem de R$ 50 milhões no orçamento anual.

O procurador do Município, Rogério Farnese, afirmou ainda que irá encaminhar uma ação à Justiça para pedir o fim do movimento.
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