Sindicato de Explosivos em Santo Antônio do Monte afirma que produção diominuiu e demissões aumentaram  (Foto: Reprodução/TV Integração)
O setor pirotécnico em Santo Antônio do Monte e região continua em crise, mesmo com a proximidade das Olimpíadas, e não irá aumentar a produção para atender a demanda do evento, que ocorre em agosto. As afirmações são de empresários e do sindicato da categoria. Além disso, a produção diminuiu cerca de 50% e ocorreram muitas demissões nas fábricas.

O Sindicato das Indústrias de Explosivos no Estado de Minas Gerais (Sindiemg), por exemplo, estima que o número de trabalhadores tenha caído de 5 mil para a metade em três anos.
Só na fábrica do empresário Arailtom Rodrigues foram aproximadamente 70 demissões do fim do ano passado até o momento.

“Esse ano tive que demitir mais 15 pessoas. Essa crise tem feito com que os empresários do setor fiquem desacreditados.

Na Copa, a expectativa era boa e tivemos uma decepção muito grande. Produzimos muito para a Copa e tivemos a decepção de ver o Brasil perder, o que resultou na mercadoria retida naquela época.

Mão vamos fazer o mesmo agora. Agora a expectativa é ruim”, afirmou.

Thiago Oliveira é dono de uma das fábricas em Santo Antônio do Monte e também não aumentará a produção. O gerente do Sindiemg, Américo Libério, disse que além de Arailton e Athiago, os demais empresários também não irão investir por conta da atual situação econômica do país.

“Não dá para investir e perder a produção. Vamos tentar manter uma média de produção, batalhar para que não haja mais queda e que não haja mais demissões”, destacou.

Para ele, a região tem perdido ainda trabalhadores que saíam do interior do estado para tentar emprego em Santo Antônio do Monte. “Os trabalhadores estão voltando com suas famílias para suas terras.

As pessoas que vinham para a cidade em busca de um trabalho já não vêm mais. A cada dia ficamos mais tristes com essa realidade”,  justificou.

Américo finalizou dizendo que a crise econômica é o principal agravante. “Sabemos que lidamos com itens supérfluos.

As pessoas não vão deixar de comprara itens básicos para comprar fogos. Nesse sentido, a produção vai seguindo devagar”, concluiu.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Fábricas de Fogos de Artifício (Sindfogos), Antônio Camargos contou que diante do cenário ele tenta, junto com a classe, aumento dos salários para que a categoria permaneça em seus postos de trabalho. “Não tem como segurara um trabalhador ganhendo pouco, por isso temos que lutar para melhorar os salários”, alegou Camargos.

Ele completou que na próxima quinta-feira (14) o aumento dos salários em 11,31% será discutido em assembleia. Pólo PirotécnicoSanto Antônio do Monte tem uma população estimada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 27.

352 habitantes. A principal fonte de renda do município sai do setor de pirotecnia.

A cidade também conta com um local próprio para a verificação da qualidade e a segurança dos fogos.
Conforme informações do gerente do Sindiemg, a região Centro-Oeste mineira abriga 79 empresas nas cidades de Luz, Lagoa da Prata, Pedra do Indaiá, Japaraíba, Moema, Arcos e Santo Antônio do Monte.

E apenas em Santo Antônio do Monte são 47 empresas que empregam mais de três mil funcionários diretamente e outros 12 mil indiretamente. “É uma atividade centenária na cidade que emprega pessoas de várias partes do país.

Galpões tomam conta de boa parte do município e eles também estão na zona rural”, comentou Américo. Líder na América LatinaMesmo em crise, o município ainda lidera a economia na produção pirotécnica na América Latina e é responsável por cerca de 90% da produção dos fogos de artifício do Brasil.

Além de abrigar o único centro tecnológico em pirotecnia da América Latina, a cidade realiza a verificação da qualidade e a segurança dos fogos.
Galpões tomam conta de boa parte da cidade e eles também estão na zona rural.

“É uma atividade antiga na cidade e que exige muitos cuidados, inclusive durante a fabricação. Para evitar o risco de curto-circuito, os funcionários contam apenas com a luz natural.

Em alguns setores, o chão é coberto de água para não haver o atrito da pólvora com o piso ou com calçados. Tudo muito artesanal”, comentou Libério.

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