Revolta e sofrimento marcaram o protesto pela morte do enfermeiro Jonevan Pessoa da Costa, de 21 anos. Enquanto o corpo do jovem era velado, familiares e amigos realizaram um ato na manhã desta segunda-feira (11), Zona Centro-Oeste de Manaus, em frente ao local do crime. O enfermeiro morreu após ser atingido com dois tiros e a família acusa um policial de assassinar o jovem.

A mãe de Jonevan, a gerente Rosimeire Pessoa, de 42 anos, afirmou que um PM atirou na perna do enfermeiro e depois efetuou um segundo disparo à queima-roupa. O crime ocorreu na noite de domingo (10), na Avenida H, no bairro Alvorada II.

“Eu vi quando meu filho estava descendo as escadas e esse policial bandido atirou na perna do Jonevan. Esse monstro se aproximou dele e atirou na testa no meu filho”, relatou a mãe do jovem.

Jonevan Pessoa da Costa foi morto com 2 tiros(Foto: Arquivo Pessoal)
O enfermeiro saía do local depois de participar de uma festa no terraço de um prédio. A polícia disse que Jonevan havia se envolvido uma briga, e o PM também participava da festa.

Porém, o motivo do conflito ainda é desconhecido.
O jovem foi socorrido por familiares e levado para o Hospital Pronto-Socorro (HPS) João Lúcio, na Zona Leste da capital.

Jonevan não resistiu aos ferimentos e morreu às 23h.
“Esse PM é um bandido de farda.

É uma vergonha para Polícia Militar, pois ele deveria estar salvando vidas e não matando pessoas inocentes. Espero justiça e uma resposta do secretário de Segurança Pública para que a morte do meu filho não fique impune como tantas outras”, desabafou a mãe do enfermeiro.

O jovem trabalhava na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Campos Sales e do HPS 28 de Agosto. Jonevan pretendia fazer medicina.

“O maior sonho do meu filho era fazer medicina. Um sonho que foi interrompido por um marginal de farda”, lamentou Rosimeire Pessoa.

 
A Polícia Civil informou que, após atirar no enfermeiro, o policial militar se apresentou no 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Em depoimento, o PM alegou que atirou para se defender e achava que o jovem estivesse armado com uma faca.

O policial foi liberado e ficará aguardando a decisão da justiça.
A versão do policial é contestada pela família da vítima, que acusa o militar de atirar do jovem mesmo depois de ele estar caído.

“O Jonevan caiu, ele se aproximou e atirou na testa do meu filho. Como isso pode ser legítima defesa? Enquanto eu estava socorrendo meu filho, esse monstro de farda foi até a delegacia se fazer de vítima.

Ele não prestou socorro nenhum ao meu filho”, afirmou a mãe do jovem.
O crime foi registrado no 10º DIP e na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.

Em nota, o Comando da Polícia Militar do Amazonas informou que ao tomar conhecimento do caso, determinou que fosse aberto Procedimento Administrativo Disciplinar para apurar a conduta do Oficial Tenente, bem como paralelamente acompanhar o inquérito policial junto a Polícia Civil. “Informamos ainda que será aberto Conselho de Justificação para apurar a conduta moral e si o policial permanecerá ou não na instituição”, divulgou o Comando da PM.

Familiares e amigos pedem justiça (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
.