Moradores aguardam obras para entrar no prédio com segurança. Local foi interditado há três meses após estalos, trincas e rachaduras. (Foto: TV Integração/ Reprodução)
A interdição de um prédio de cinco andares no Bairro Jardim dos Alfineiros completou três meses sem uma definição sobre o futuro.

Moradores de 16 apartamentos tiveram que deixar o local no dia 31 de janeiro, após estalos, trincas e rachaduras. Desde então, alegam que a empresa não se responsabilizou pelos aluguéis deles e nem cumpriu as medidas exigidas para a liberação do imóvel.

Em nota, a Defesa Civil relatou que determinou quais seriam os procedimentos de segurança a serem tomados pelo responsável pelo prédio. Mas por não terem sido todos cumpridos, a subsecretaria informou que o imóvel e o entorno continuam interditados.

O G1 não conseguiu contato. IncertezaNos apartamentos ainda estão móveis e objetos pessoais.

Depois do susto, o que sobrou foram as incertezas quanto ao futuro. O comerciante Inaldo Nunes destacou que a empresa não cumpriu o combinado de pagar o aluguel para os moradores.

“Nós continuamos pagando aluguel, as pessoas continuam morando de favor. Enquanto isso, estamos sem uma moradia digna, sem o sonho da casa própria e esperando a definição da construtura que, até o momento, não fala nada do que vai fazer”, disse.

De acordo com o advogado dos moradores, Pedro Mourão, uma liminar determinou os procedimentos de engenharia necessários para a liberação do prédio em segurança e que a empresa pagasse estadia em hotel ou aluguéis mensais para os moradores. No entanto, ele destacou que não foram cumpridas.

“A informação que a gente tem da Defesa Civil é de que o escoramento foi feito de forma irregular porque não foi apresentado o engenheiro como responsavel técnico por ele. E a empresa pagou durante dois dias as diárias em hotel, entrou em contato com os moradores dizendo que ia pagar os aluguéis e não pagou nenhum até a data presente”, explicou.

O impacto financeiro de ter que pagar o aluguel fez o músico Ângelo Marcelino a tomar uma decisão arriscada. Há 15 dias, a família dele voltou para a casa, que fica ao lado do prédio e está na área interditada.

“As contas são triplicadas porque tenho três filhos, comecei a me endividar e então a gente resolveu voltar. Com certeza, temos medo, mas a gente está ocupando mais à direita que não fica próximo do prédio.

E Deus está com a gente, protegendo”, contou.
De acordo com a Defesa Civil, a família do músico assumiu os riscos de estar no local.

InterdiçãoO prédio de cinco andares foi interditado na noite de 31 de janeiro. De acordo com o Corpo de Bombeiros, os moradores pediram ajuda devido ao aumento das trincas no imóvel.

A interdição da construção, que fica na Rua Custódio Resende de Bastos, foi uma medida de prevenção, já que existe ameaça de desabamento.
Os problemas que levaram à atual interdição já tinham aparecido em 2013, quando um laudo da Defesa Civil, feito a pedido de alguns moradores, indicou a necessidade de intervenção na estrutura, como colunas de apoio e reparos nos pilares.

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