Inquérito que investiga o confronto entre PM e MST retornou a Polícia Civil (Foto: Reprodução / RPC)
O Ministério Público Estadual (MP-PR) em Quedas do Iguaçu, no oeste do Paraná, encaminhou à Polícia Civil nesta segunda-feira (25) o inquérito que investiga o confronto entre policiais militares e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocorrido no dia 7. A promotoria pede à delegada responsável pelo caso mais provas. A partir de agora, o prazo para a conclusão é de 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

No dia 15, quando a delegada Ana Karine Palodetto encaminhou o inquérito policial ao MP-PR – que conduz uma investigação paralela, a exemplo da Polícia Militar e da Polícia Federal -, ela já havia adiantado que estava incompleto, entre outros, por não ter conseguido ouvir alguns dos sem-terra chamados para depor.
Devido à falta de aproximadamente dez depoimentos, a Polícia Civil não conseguiu verificar de quem foi a responsabilidade pelo início do confronto.

Já a Polícia Militar defende que os sem-terra atiraram primeiro, versão confirmada por um dos trabalhadores ouvidos. Já o movimento e outro dos sem-terra feridos dizem que apenas revidaram.

Ambos os lados falam em emboscada.
O promotor Marcelo Salomão Czelusnak explicou que o prazo para a conclusão do inquérito foi estendido porque na semana passada a Justiça concedeu liberdade provisória aos dois sem-terra feridos no confronto.

Desde que deixaram o hospital, ambos estavam presos em regime domiciliar em função do tratamento pelo qual estão passando.
O advogado do MST, Claudemir Torrente de Lima, afirmou que após a divulgação do laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel sobre a morte dos dois sem-terra deve pedir a exumação dos corpos.

Ele ainda criticou o inquérito da Polícia Civil.
“A delegada apenas ouviu os policiais, não fez a reconstituição do crime, o inquérito ficou muito superficial e acabou incorporando a tese dos policiais.

Ela intimou três pessoas do movimento que não estavam no fato e as demais optaram por prestar depoimento à Polícia Federal e ao Gaeco por receio. Eles acharam que ia acontecer a mesma coisa que aconteceu com as duas vítimas internadas nos hospitais e autuadas em flagrante”, comentou.

Procurada pelo G1 nesta segunda a delegada não foi encontrada para comentar como conduzirá as investigações nesta nova fase.
Por meio de nota, a Polícia Militar (PM) informou que uma investigação interna vai detalhar e esclarecer o número de tiros realizados no dia do confronto.

A PM ainda informou que uma reconstituição do caso será realizada em breve com a presença do Oficial encarregado do inquérito, pelo delegado da Polícia Federal, pelo Ministério Público do Paraná e também pela Polícia Civil.  
Os policiais militares envolvidos continuam trabalhando, mas, conforme a PM, em outras unidades distantes da região conflitada.

A Polícia Militar ainda esclarece que os policiais também foram submetidos ao programa de tratamento psicológico para ocorrências de alto risco. InvasõesO conflito por terras na região se acirrou depois da invasão de áreas da Araupel, empresa de reflorestamento e beneficiamento de maneira, em julho de 2014.

Desde então, vários títulos de propriedade vêm sendo questionados na Justiça pela União e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Na semana passada, o Incra anunciou a criação de um assentamento na região para abrigar cerca de 80 famílias.

O órgão também aguarda a resposta do MST sobre a proposta apresentada pela Araupel, que aceitou que os sem-terra permaneçam na área ocupada desde que permitam o acesso de funcionários à produção, além de repassar 190 hectares para um novo assentamento.
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