Conselheiro do ICMBio, Raimundo Santos Rodrigues, e a esposa (Foto: Divulgação / ICMBio)
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou os fazendeiros José Escórcio de Cerqueira e Francisco da Silva Sousa, suspeitos de contratar pistoleiros para matar Raimundo dos Santos Rodrigues, de 54 anos, e sua companheira, Maria da Conceição Chaves Lima – que sobreviveu ao ataque e foi inserida no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas –, conselheiros da Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi que denunciavam constantemente a grilagem e a exploração ilegal de madeira no interior do Maranhão.
O homicídio praticado contra Raimundo dos Santos e a tentativa de homicídio contra sua companheira, de acordo com o MPF, ocorreram por motivo torpe: vingança. José Escórcio e Francisco da Silva, proprietários de terras no interior da Rebio) do Gurupi, “estavam bastante incomodados com a atuação de Raimundo dos Santos e Maria da Conceição como conselheiros da Reserva Biológica do Gurupi”, conforme diz trecho da denúncia.

Segundo o inquérito policial que embasou a denúncia, no interior de fazenda de propriedade de José Escórcio, dois pistoleiros armados com revólveres emboscaram as vítimas quando elas retornavam, em uma motocicleta, à comunidade Rio das Onças II, no interior da Reserva do Gurupi, onde residiam.
Na denúncia, o MPF pede a instauração de processo penal com a intimação dos denunciados para interrogatório.

Os denunciados devem responder por porte de arma de fogo sem autorização legal. Francisco da Silva Sousa, atualmente, segundo o MPF, está foragido.

Já José Escórcio segue preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na Região Metropolitana de São Luís. RelembreRaimundo foi morto em 25 de agosto de 2015 com sete tiros e golpes de facão em uma emboscada, no trajeto entre Buriticupu (MA) e a casa onde morava com a esposa, localizada na Rebio Gurupi, em Bom Jardim (MA).

O ambientalista afirmava que vinha sofrendo ameaças. Segundo ele, um fazendeiro teria ameaçado a ele e a outras dez famílias que moravam na região.

“Ele estava incomodado com a Rebio para não roçar dentro da área de área biológica”, disse.
Em um vídeo, Raimundo contou que o fazendeiro citado teria agido com abuso para retirar as famílias do local, incendiando casas e barracos, além de objetos dos moradores.

“Nós se sente (sic) ameaçado desde que ele chegou lá, tocando fogo nos barracos. Ele queria passar com carro por cima das crianças, dos adultos”, revelou.

O assassinato do ambientalista e conselheiro da Rebio do Gurupi chegou a ser denunciado à Organização dos Estados Americanos (OEA), pela organização não governamental (ONG) Justiça Global.
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