Peças são expostas pelas indígenas Sateré Mawé no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), em escolas e universidades de Manaus (Foto: Ive Rylo/G1 AM)
“Com o artesanato, a cultura indígena vive, fica conhecida no mundo todo e é da onde eu consigo renda”, disse a artesã indígena da etnia Sateré Mawé, Maria do Carmo Vieira do Nascimento, 60, ou Hary. Após trocar a aldeia – as margens do rio Andirá, próximo ao município de Barreirinha – pela capital, ela viu no artesanato uma forma de garantir o sustento. A história de Hary é semelhante a de dezenas de outras indígenas que apostaram no empreendedorismo para gerar renda e garantir para a permanência feminina no mercado de trabalho.

  “Depois que deixei a aldeia e vim para Manaus, fiz artesanato para viver. Me vesti de  uma guerreira que veio para a cidade procurar sobrevivência e uma coisa melhor”, disse Hary.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 eram 52. 178 ocupados e que contribuíram para o instituto de previdência oficial, em qualquer trabalho no Amazonas.

Dos quais, 29. 826 são homens e 22.

352 mulheres. Esculturas de madeira em forma de animais que compõem a fauna regional são os preferidos dos turistas (Foto: Ive Rylo/G1 AM)Desde quando chegou a Manaus, há 42 anos, Hary apostou no artesanato para se sustentar.

Hoje a comercialização das peças é responsável por 50% do ganho da família. “Expomos nossas peças no Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia) e em feiras em escolas.

Temos uma pequena lojinha na Associação também. Mas vejo que precisamos de mais espaço e divulgação”, disse.

Além atuar nas vendas, a indígena trabalha na produção das peças inspiradas na arte Sateré. “Minha peça preferida para confeccionar é coruja na madeira, que traz o simbolismo da sabedoria.

As esculturas são as mais vendidas. As pessoas gostam do tatu, jabuti, pássaro, carranca que mexe a cabeça”, disse.

Ela lembra que começou a “mexer” com artesanato, já nos primeiros anos de vida, por incentivo da mãe.   “Comecei com o artesanato desde quando comecei a comer.

Com 7 anos já era profissional, minha mãe me ensinou a arte, que veio dos nossos antepassados, dos nossos avós”, disse. No início, reunir sementes, ossos e penas, era uma brincadeira incentivada pelas mães da aldeia, para que as crianças se entretecem.

“Nossa criação foi assim, não tinha brinquedos. A mãe dava uma folha de embaúba e a gente brincava.

Mãe colocava a gente sentada do lado dela e aprendendo as coisas com ela. Fomos desde cedo aprendendo as coisas com os mais velhos”, lembrou-se.

Aneis, colares, bijuterias e adornos são fabricados pelas indígenas (Foto: Ive Rylo/G1 AM)As aulas geraram frutos. Hoje Hary e mais nove indígenas da etnia Sateré Mawé viram nos ensinamentos da aldeia uma oportunidade de negócio.

Elas fazem parte da Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (Amsim), que foi fundada em 1996. No local, com sede no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus, as indígenas se reúnem para realizar inúmeras atividades, além da produção de artesanato visando o mercado consumidor.

Juntas, as indígenas apostaram no empreendedorismo para garantir o sustento.   “O artesanato me ajudou, dá para levar a vida e melhorou muito.

Fico feliz de ter conquistado um espaço e poder me sustentar de forma digna. A gente faz (as peças) e oferece a mercadoria.

Minha sobrinha me chamou para fazer parte da Associação e estamos juntando parentes que vão chegando”, afirmou a indígena. Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawe(Amsim), no bairro Compensa, Zona Oeste, reúneartesãs de todas as idades (Foto: Ive Rylo/G1 AM)
Além de Hary, a associação reúne mais 10 indígenas que têm buscado fonte de renda com a produção de esculturas e joias da floresta.

“Minha mãe foi a fundadora da associação, ela faleceu e estou assumindo. Com o dinheiro do artesanato eu consegui cuidar dos meus filhos.

Nenhum virou marginal e hoje, cursam a faculdade. Eu continuo nessa ideia, porque pra mim foi bom.

E, se para mim deu certo, acho que para outras mulheres vai dar certo”, disse a  presidente da Associação, Sônia da Silva Vilácio, 42 anos, Sateré Mawé. Em Manaus, 30 mulheres da etnia Sateré participam da associação, das quais 10 envolvem-se especificamente com a produção e comercialização da arte indígena.

Sônia explicou que quando as mulheres deixam a aldeia para vir morar na capital, encontram grandes dificuldades para conseguir emprego. A maioria trabalha como doméstica em casas de família ou tenta garantir a renda com a produção das peças.

“Com a Associação, a gente pode expor o artesanato e fazer a mulher ganhar dinheiro e ajudar na renda da família. É um trabalho que ela faz em casa, olhando os filhos.

O artesanato nos dá a oportunidade de trabalhar em casa e não descuidar da criação dos filhos”, disse. Com a renda das peças, Sônia – que se dedica a arte desde os 16 anos – teve condições de sustentar os quatro filhos.

“Com o trabalho consegui criar meus filhos de maneira digna”, orgulha-se. Coruja em madeira é produzida por artesãs (Foto: Ive Rylo/G1 AM)Matéria prima e dificuldadesO material utilizado para compor as obras de arte é importado das aldeias Sateré, nos municípios de Parintins, Barreirinha e Maués.

Sementes, ossos, madeira e penas: tudo é aproveitado pelos artistas indígenas. “Aproveitamos até os ossos dos bichos.

É só colocar para lavar e eles ficam branquinhos. A gente nunca estraga nada, os ossos, escama e pena.

Se mata uma galinha ou pato, usa as penas para o trabalho. Colar, cocar, carranquinha,maraca.

O molongó, que é a madeira, vem do baixo Amazonas,  da comunidade Porto Alegre, no Rio Andirá, no município de Barreirinha. Essa madeira a gente tira de ano em ano, do fundo d’água e só aproveita as mais bonitas”, explicou a indígena Hary.

A produção das peças é quase que 90% destinada aos turistas brasileiros e estrangeiros. Indigenas se organziaram em associação para articular a comercialziação de produtos (Foto: Ive Rylo/G1 AM)De acordo com a presidente da Associação, Sônia Vilácio, em meses com bom movimento, a renda pode chegar a um salário mínimo.

O mercado competitivo, somada a crise econômica e a falta de espaços para exposição são apontados como vilões para a expansão do negócio. “Nós da associação não temos um ponto fixo para vendas.

Trabalhamos com eventos, expomos em escolas e faculdades. Seria importante que tivesse uma boa política do governo federal ou estadual voltada para essa parte.

Nossa maior dificuldade é porque não tem onde expor, o governo não criou um espaço para nós indígenas”, disse Sônia. IBGEDiferentes cores e modelos compõe as bijuteriasindígenas (Foto: Ive Rylo/G1 AM)
No Brasil são 621.

381 indígenas, dos quais 313. 142 possuem idade superior a 10 anos e estão economicamente ativas.

Entre os não economicamente ativos, são 308. 239 de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Amazonas são 115. 770 indígenas, sendo 53.

810 ativos profissionalmente e 61. 959 inativos.

O que corresponde a 1,97% ativos e 2,27% não ativos.   O conceito do IBGE para “economicamente ativo”, abrange pessoas que trabalhavam ou estavam em busca de trabalho.

De acordo com dados do IBGE, em 2010 eram 52. 178 ocupados e que contribuíram para o instituto de previdência oficial, em qualquer trabalho no Amazonas.

Dos quais, 29. 826 são homens e 22.

352 mulheres. O Instituto levantou também que entre os indígenas ocupados, as mulheres tem rendimento menor que os homens.

  Do total de 23. 985, 15.

103 homens tinham rendimento médio mensal de R$583,61 e 8. 882 mulheres  R$ 417,26.

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