Rivane trabalha com aluguel de vestidos de festa há dez anos e sonhava em ter a própria festa de casamento: ‘na hora não senti vontade de chorar, mas no dia seguinte fiquei acabada’ (Foto: Arquivo pessoal)
Os meses de preparação para a festa de casamento e mais de R$ 20 mil investidos no evento viraram uma frustração para a comerciante cearense Rivane Maria Araújo, 44, e para o mecânico João Galdino, 47, que tiveram a cerimônia matrimonial, em Fortaleza, cancelada devido a um apagão elétrico em fevereiro de 2011. Na semana passada, uma decisão da Justiça determinou que as companhias Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) e a Energética do Ceará (Coelce) indenizem Rivane em R$ 61 mil por danos morais e materiais.
A lista dos detalhes do casamento foi planejada tal qual nos sonhos: vestido com cauda, bolo com três andares, banda, buffet decorado.

Mas na noite da festa, em 3 de fevereiro de 2011, um apagão de cerca de duas horas não só em Fortaleza – oito estados do Nordeste foram afetados – interrompeu a noite antes mesmo que ela pudesse dançar a valsa dos recém-casados.  “Não tem preço, nada vai fazer voltar o tempo, os convidados na festa”, lamenta Rivane, mesmo após a vitória na Justiça.

Assim que terminou a cerimônia religiosa, com um pastor e juiz no próprio buffet, o local ficou no escuro, e logo a maioria dos convidados do casal começou a ir embora.  
Alguns convidados não tiveram coragem de se despedir.

Senti que todo mundo olhava pra mim com pena”
Rivane Araújo
“Muita gente se apavorou pra ir pra casa, recebeu ligações porque deixou criança em casa. Alguns convidados não tiveram coragem de se despedir, pensando em como eu estava.

As pessoas ficaram muito tristes, sabiam que eu gosto de festa, e era a minha festa”, relembra. “Eu senti que todo mundo olhava pra mim com pena”, completa.

  À época, a Companhia Hidrelétrica São Francisco (Chesf) apontou falha em uma subestação de energia como causa do incidente. O G1 procurou a Chesf, que não retornou para comentar a determinação judicial.

A Companhia Energética do Ceará (Colece), também citada na decisão como responsável pelo apagão, afirmou que não notificada sobre o caso e não iria comentar o assunto.   Preparativos e frustração A noiva diz que não imaginava a possibilidade de uma queda de energia e não foi alertada pela cerimonialista ou pelo serviço de buffet, por isso não alugou um gerador.

Trabalhando com aluguel de vestidos há mais de dez anos e com várias noivas entre suas clientes, ela conta que aprendeu uma lição: “desde essa época eu indico pra todas as noivas que aluguem gerador”.   “Não caiu a ficha na hora.

Parecia que aquilo não estava acontecendo. Meu irmão e outras pessoas ligaram o farol dos carros, porque o espaço era aberto, e a gente conseguiu jantar.

Quando voltou a energia, eu já estava em casa”, lembra. Apagão interrompeu a festa logo depois dacerimônia religiosa, no próprio buffet(Foto: Arquivo pessoal)
A noiva conta que adquiriu habilidade em lidar com noivas – “sempre muito nervosas, à flor da pele” – e que por isso conseguiu manter a serenidade na noite.

“No outro dia, fiquei acabada, chorei o dia todo. Foi desesperador”.

Ela retornou ao local da festa no dia seguinte para pegar o bolo, que já havia sido desmontado, e teve outro momento de tristeza ao ver a nova decoração do espaço. “O buffet estava lindo, todo decorado de novo, mas não era minha festa.

Não sou de guardar coisas ruins, mas não foi fácil”.  Rivane conta que a “ressaca moral” foi tanta que adiou em uma semana a lua de mel, celebrada em Mundaú, no litoral cearense.

 Atualmente divorciada, Rivane conta que não descarta a possibilidade de casar novamente – mas com uma cerimônia em outro estilo. “Talvez uma festa na praia, de dia.

Já quis muito glamour, muito brilho. Acho que não é o que quero mais”.

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