Nestor Cerveró está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na RMC (Foto: Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)
O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, deve falar à Justiça Federal do Paraná pela primeira vez na condição de delator em uma audiência referente à uma ação penal da 21ª fase da operação – batizada de Passe Livre. A audiência está marcada para começar às 14h desta segunda-feira (18).
O lobista e delator Fernando Baiano, que cumpre prisão domiciliar, também será ouvido pelo juiz Sérgio Moro nesta segunda.

Ele é réu na mesma ação penal.
O pecuarista José Carlos Bumlai, que cumpre prisão domiciliar, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, o acionista do Grupo Schahin Salim Schahin e outros cinco investigados também respondem pelo mesmo processo.

De acordo com a Polícia Federal (PF)  e com o Ministério Público Federal (MPF), Cerveró, na condição de diretor Internacional da Petrobras, se beneficiou do esquema de fraude, corrupção e desvio de dinheiro, recebendo propinas milionárias em virtude de diferentes contratos da Petrobras e também na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A deleção premiada dele foi homologada após a divulgação de uma gravação feita numa reunião do senador Delcídio do Amaral com o chefe de gabinete dele, Diogo Ferreira, o advogado Edson Ribeiro e o filho de Cerveró, Bernardo.

Diogo Ferreira teve a prisão temporária convertida para preventiva. Investigações da 21ª faseAs investigações da 21ª fase apontam que o pecuarista Bumlai utilizou contratos firmados na Petrobras para quitar empréstimos junto ao Banco Schahin.

O dinheiro destes financiamentos era destinado ao Partido dos Trabalhadores (PT), de acordo com o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Diogo Castor de Mattos.
O principal empréstimo em investigação nesta fase era de R$ 12 milhões e teve o valor elevado para R$ 21 milhões devido aos acréscimos.

A dívida, de acordo com o Ministério Público Federal, foi perdoada, e a irregularidade foi mascarada com uma falsa quitação no valor inicial do empréstimo.
Em troca deste financiamento, empresas do grupo Schahin conquistaram sem licitação o contrato de operação do navio-sonda Vitória 10.

000, ainda conforme o Ministério Público Federal.
O delator Salim Taufic Schahin afirmou que foi ele quem propôs a João Vaccari Neto a quitação de empréstimo de R$ 12 milhões do PT através da assinatura de um contrato com a Petrobras.

Ele foi interrogado pela Justiça na última quarta-feira (13).
Salim detalhou a participação dos ex-tesoureiros do PT Vaccari e Delúbio Soares na negociação do empréstimo.

Ele também confirmou a versão de Bumlai, que assumiu ter agido como interposto do PT para obter o empréstimo junto ao Banco Schahin.
O caso teve início em 2004.

Segundo Schahin, Bumlai procurou o banco pedindo o empréstimo e relatou que repassaria o dinheiro ao PT. Schahin disse que ficou preocupado com a situação, pois não gostava da ideia de conceder valores altos a pessoas físicas e interpostas a partido político.

O ex-gerente da Área Internacional, Eduardo Vaz Musa, também foi interrogado no mesmo dia. Ele voltou a falar sobre a contratação do navio-sonda Vitória 1000.

Ele explicou que o equipamento foi adquirido pela Petrobras para ser operado pela Schahin Engenharia, braço do Grupo Schahin. “Houve uma conversa comigo, dizendo que essa segunda sonda seria contratada para ser operada pela Schahin”, afirmou.

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