Dina engravidou de gêmeos após se submeter ao tratamento de reprodução assistida (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)
Os tratamentos de reprodução humana assistida têm se tornado cada vez mais medida adotada por casais que não conseguem ter filhos naturalmente. Em Manaus, estimativas reveladas pelo médico Lorivaldo Rodrigues apontam que aproximadamente 84 mil casais tenham algum tipo de dificuldade para engravidar. O sonho de ser mãe leva mulheres com dificuldades de fertilidade a recorrer aos tratamentos que custam até R$ 30 mil na capital.

A empresária Ângela Hiromi Bastos, de 32 anos, faz parte desse grupo. O desejo de ser mãe se tornou uma meta de vida para ela.

A empresária chegou a investir mais de R$ 20 mil nos tratamentos de reprodução assistida em Manaus.
Pode não ser o sonho de todas as mulheres, mas é o meu grande sonho ser mãe”
Ângela Bastos
Depois de um ano de casamento, Ângela recebeu o diagnóstico de ovários policísticos, que é uma doença que causa problemas de infertilidade nas mulheres.

Apesar do diagnóstico, a empresária não desistiu de realizar o sonho de ser mãe.
Em novembro de 2014, ela iniciou tratamento para engravidar no Centro de Medicina Reprodutiva e Infertilidade do Amazonas.

“Cheguei à minha primeira consulta desenganada, mas o doutor Lourivaldo reacendeu minha esperança quando com tratamento de inseminação artificial. Na segunda tentativa eu engravidei em 2015.

Com quatro meses parou de evoluir e sofri um aborto em junho do ano passado, mas não desisti”, contou.
A empresária engravidou novamente na terceira tentativa de inseminação ainda em 2015.

Porém, com quase oito meses de gestação, Ângela sofreu mais uma perda e o bebê que ela esperava morreu ainda na barriga. Ângela Bastos busca sonho de ser mãe(Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
“No dia 28 de dezembro fui ao hospital porque eu não sentia meu bebê mexer.

O médico disse que estaria tudo bem, que não era para eu me preocupar porque o coração estava batendo. Eu não sentia meu bebê mexer e procurei outro médico no outro dia.

Foi constatado que não tinha mais batimento cardíaco”, desabafou a empresária.
Ainda em janeiro deste ano, Ângela retornou a luta para ter o primeiro filho por meio de tratamentos de fertilização.

“Eu não vou desistir. Apesar de todo o sofrimento vou continuar lutando e um dia se Deus quiser vou conseguir.

Um dia vou ser mãe. É o que sempre imaginei ter uma família, ter filho.

Pode não ser o sonho de todas as mulheres, mas é o meu grande sonho ser mãe e vou lutar até onde eu puder”, afirmou. GêmeosA nutricionista Dina do Valle Souza, 32 anos, foi duplamente atendida.

Mãe dos gêmeos Pedro e Miguel, ela recorreu à fertilização em vitro após descobrir uma endometriose. “Na verdade, descobri que era portadora de endometriose e pesquisei sobre diversos tratamentos, pois sabia das dificuldades que teria para engravidar.

A maioria das pesquisas que li citava essa fertilização em vitro, então soube que essa seria a minha melhor chance para engravidar”, disse.
A realização da maternidade veio em menos de um ano após a realização do procedimento.

“Fiz a técnica em agosto de 2014 e meus filhos nasceram em março de 2015. Como me preparei muito para esse momento – mudei minha alimentação, passei a fazer atividade física e acupuntura”, afirmou.

“Foi uma gravidez excelente e super tranquila”, completou. Embriologista Lia Pontes mostrou como é feita a Fertilização in Vitro (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)MedicinaSegundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a estimativa é de que a infertilidade atinja de 8% até 15% dos casais em idade fértil de uma população.

Em Manaus, o médico ginecologista e obstetra Lourivaldo Rodrigues, especialista em reprodução humana, estima cerca de 84 mil casais que têm algum tipo de problema de fertilidade.
De acordo com Rodrigues, a maioria das mulheres que recorreu a tratamentos de reprodução assistida têm idades entre 20 e 50 anos.

Rodrigues afirma que a maioria dos casais priorizou a carreira profissional e depois da estabilidade financeira buscaram engravidar.
“Tem uma paciente minha que tem 45 anos, que há dois anos casou e há um ano decidiu ser mãe.

Primeiro ela se formou, se especializou e se estabilizou para decidir formar família. Nossa missão é ajudar a realizar o sonho da maternidade de casais que não conseguem engravidar naturalmente.

Acima de tudo é um trabalho social porque realizamos um sonho verdadeiro”, disse o médico.
Na Clínica La Vitta, uma média de 30 casais é atendida por mês e mais de 100 fertilizações e inseminações são realizadas por ano na clínica.

De acordo com Rodrigues, 30 mulheres estão na fila para engravidar por meio de tratamentos de reprodução e mais 100 bebês nasceram desde 2010 por meio de Fertilização In Vitro neste estabelecimento. Médico Lourivaldo Rodrigues diz que tratamentosde reprodução tem ajudado casais(Foto: Adneison Severiano/G1 AM)TratamentosO médico explicou que há tratamentos de alta complexidade que são as Fertilizações In Vitro, também conhecidas como FIV, que pode ainda ser associada à técnica de Injeção Introcitoplasmática (ICSI).

A Fertilização In Vitro consiste quando óvulo é fertilizado fora do corpo da mulher. Nesse caso, o óvulo e o esperma são unidos no laboratório, formando o embrião que é introduzido no útero da mulher.

Já na ICSI uma agulha mais fina do que um fio de cabelo humano, acoplada a um microscópio, é usada para injetar o espermatozoide no óvulo que depois será injetado no útero.
Os tratamentos de baixa complexidade compreendem as inseminações artificiais e coito programado.

“No coito programado fazemos a mulher ovular e orientamos o momento de fazer relação sexual com parceiro. A diferença é que na inseminação o marido oferece o sêmen e nós depositamos o sêmen dentro do útero.

Já na fertilização depositamos o embrião em estado mais avançado. Por isso as taxas de sucesso são diferentes em cada método”, explicou o especialista.

O preço dos tratamentos varia conforme o fator causal do problema de infertilidade e depende ainda da técnica que será usada. Porém, o investimento para engravidar pode chegar até R$ 100 mil, mas em média R$ 30 mil é o valor gasto com tratamento, que inclui o procedimento e medicamentos.

“Tem casais que após avaliação constatamos que não é preciso inseminação ou fertilização, mas em média a paciente gasta R$ 30 mil por tentativa”, disse o especialista que atua com reprodução assistida desde 1982 e com métodos avançados desde 1995.
.