Setor de calçados em Nova Serrana gerou mais de três mil empregos em 2016 (Foto: Sindinova/Divulgação)
Nova Serrana foi a cidade mineira que mais abriu novos postos de trabalho em 2016, segundo dados do Cadastro Geral dos Empregos e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram 3. 248 novas vagas e o principal responsável foi o setor calçadista.

O número também deixa a cidade com a 3ª colocação no país.
Em reportagem publicada em outubro de 2015, o G1 mostrou que  apesar da retração econômica que influenciou no fechamento de fábricas de calçados e na dispensa de trabalhadores em 2015 , a cidade do Centro-Oeste de Minas era a décima entre as que mais geraram empregos de janeiro a agosto de 2015 em todo o Brasil.

O chefe de Governo, Maurício Lacerda, comemorou a colocação no ranking e afirma que Nova Serrana é uma cidade ímpar. “Há uma grande movimentação do comércio que está aquecido por conta desses empregos  gerados.

Na realidade estamos vivendo momentos difíceis em todo Brasil, mas Nova Serrana tem superado esses obstáculos”, enfatizou. Sem criseAlessandra Lacerda é empresária do ramo calçadista em Nova Serrana e segundo ela, mesmo com a crise sempre manteve mais de 30 funcionários na empresa.

Neste ano, mais seis pessoas foram contratadas. “Muito tem se falado em crise e para ser bem sincera eu não tive crise na minha fábrica.

Digo, inclusive, que a produção aumentou, pois geralmente a só aumenta depois do mês de agosto e nos últimos anos mantive minha produção com alta em todos os meses”, destacou.
Na fábrica da empresária são produzidos tênis para adultos e crianças, comercializados em todo país.

“Tenho muitos representantes em Minas Gerais, mas  vendo um pouco para cada estado, incluindo Rio de Janeiro, Brasília e Manaus”, destacou. Fábrica de Nova Serrana gerou seis vagas novas nos últimos três meses (Foto: Alessandra Lacerda/Divulgação)Recém contratadosWalisson Junior de Souza, de 23 anos, foi um dos contratados pela empresária.

Ele conta que ficou desempregado por  três meses antes de ser admitido no setor de produção da fábrica. “Trabalho desde os 12 anos e meu primeiro emprego foi com fabricação de sandálias, junto com meu pai.

  Estou muito satisfeito em estar empregado novamente. Gosto do que faço, gosto do ramo calçadista”, disse.

Andreia de Souza Rodrigues, 24 anos, foi contratada em janeiro e disse que ficou seis meses desempregada. Ele é de Montes Claros, no Norte de Minas, e está com 24 anos.

Andreia conta que se mudou aos 18 para Nova Serrana em busca de emprego. “Sempre soube que a cidade era boa para em prego e desde 18 anos nunca fiz outra coisa que não fosse trabalhar com caçados”, disse.

Agda Borges trabalha há um mês como coladora de solado em outra fábrica do município o, a jovem de 26 anos também está entre os recém contratados do setor e comemora  o novo emprego. “Em Nova Serrana é muito difícil ficar sem emprego.

É sempre uma questão de tempo mesmo, porque sempre tem empregos na cidade, graças a Deus”, comentou. Sindicato estima geração de 21 mil postos deempregos (Foto: TV Integração/Reprodução)Pólo calçadistaNova Serrana, tem 89.

859 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a mineira mais bem colocada. Referência na produção de calçados para venda nacional e também exportação, o município enfrentou no mesmo ano uma situação delicada, causada pela vigência de um imposto que prejudicava a indústria calçadista.

O Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova) estima que o segmento gere 20 mil postos de trabalho diretos e outros 21 mil indiretos no polo. O economista Marcos Paulo Ferreira, autor de uma pesquisa sobre impactos da indústria calçadista de Nova Serrana na economia mineira, acredita que a colocação alcançada pela cidade se deve a este setor econômico.

Crises econômicas afetam cidades de acordo com a situação negativa do segmento que é o carro-chefe. Nova Serrana não vive uma fase boa na indústria calçadista, mas o fato é que existem outros municípios em situação pior.

Marcos Paulo Ferreira, economista
“Crises econômicas afetam cidades de acordo com a situação negativa do segmento que é o carro-chefe. Nova Serrana não vive uma fase boa na indústria calçadista, mas o fato é que existem outros municípios em situação pior”, pontuou.

O presidente do Sindinova, Pedro Gomes, concorda com o posicionamento do economista e reforça que percebe na cidade os reflexos dos números do Caged. “Como não é uma estimativa, mas sim a soma das carteiras assinadas, podemos observar que, apesar da crise, a geração de empregos em Nova Serrana ainda é boa”, afirmou.

Ele acrescenta que isso não significa, porém, que o setor viva um bom momento. “Existe emprego, mas ainda em quantidade menor do que até bem pouco tempo atrás.

Muitas empresas fecharam as portas neste ano por causa da crise. Estimamos um fechamento de ano com redução de 5% a 10% na produtividade.

É uma situação que só poderá melhorar a partir do ano que vem”, ressaltou.
Uma empresária que preferiu não ser identificada é exemplo de que mesmo contratações em alta, não significa que o setor viva um bom momento.

Depois de 23 anos em atividade no município ela se prepara para fechar a fábrica. “Agora só estou aguardando a licença de um funcionário terminar para então encerrar a firma”, disse.

Ela atribui ao fechamento problemas como a burocracia e dificuldade de crédito pra financiamento de capital de giro e também a oscilação nas vendas. A fábrica dela já teve 43 funcionários.

No início do ano passado mais de 10 foram demitidos para equilibrar as contas, mas não foi suficiente. “Optamos por fechar, mas sabemos que o setor em Nova Serrana é assim mesmo.

Os empresários sempre conseguem recuperar e ânimo é a palavra que nos motiva. Já recomeçamos e sabemos que é devagar e sempre”, complementou.

Produtos de consumo popularO presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Afonso Gonzaga, acredita que Nova Serrana desponta entre as geradoras de emprego porque produz bens consumidos em massa pelas classes econômicas C e D. “Apesar das dificuldades, ainda é uma cidade empregadora porque em tempos de crise, as classes A e B migram para as classes C e D.

Com a grande oferta de calçados de baixo custo, o consumo aumenta e, como efeito disso, cresce a demanda por mão de obra nas fábricas”, comentou.
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