Campus de Monte Carmelo funciona no antigo Sesi(Foto: Reprodução/TV Integração)
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) conta com campi em cidades do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Mas em Monte Carmelo, Ituiutaba e Patos de Minas,  as obras de instalação deles estão paradas ou seguem ritmo lento. Além, dessa situação a precariedade dos locais, a falta de segurança e até de docentes incomodam os estudantes.

Sobre as reclamçaões, a produção do MGTV tentou contato com o reitor nas últimas semanas, o professor Elmiro Santos Resende, para que ele se pronunciasse, contudo, devido à agenda dele, não pode atender ao jornalismo da emissora. A UFU em Monte Carmelo, no Alto Paranaíba, está oficializada desde fevereiro de 2012 e oferece cinco cursos, entre eles engenharia de sistema, engenharia cartográfica e agrimensura e agronômica.

São aproximadamente 40 alunos. Com o final da implantação do campus, a expectativa é de que cinco mil estudem no local.

No início, as aulas eram realizadas em um prédio da Prefeitura, onde antes funcionava o Sesi. A sala de professores foi recentemente alugada e funciona em um imóvel vizinho onde antes era um sacolão.

Outro espaço que a universidade utiliza é um prédio alugado pela maçonaria para a Prefeitura e compartilhado com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, onde funcionam cinco salas. A propriedade da UFU é o campus Araras.

O acesso também é precário e não há segurança adequada no local. O trator utilizado pelos alunos do curso de engenharia agronômica teve peças furtadas há alguns dias, segundo o estudante de engenharia agronômica Otávio Silva Mello.

Ele disse que teve levado a bateria e o alternador, contabilizando um prejuízo de cerca de R$ 7 mil. Bloco I do campus Araras em Monte Carmelo não oferece seguranças aos alunos(Foto: Reprodução/TV Integração)
Para o professor e assessor administrativo do reitor, Edmar Isaías de Melo, a questão de segurança e furtos de bens materiais não é a principal preocupação.

“Pessoas entram no local pulando a cerca e mexem nos experimentos e isso para nós é muito prejudicial porque o trator a gente acaba repondo a peça, mas o experimento de melhoramento genético, por exemplo, que leva dez anos para ser finalizado e ser interrompido é muito complicado”, contou. Os alunos em geral reclamam que o improviso tem sido a marca desde o início de 2013, quando o Bloco I, o único do campus Araras, começou a funcionar.

Outro problema destacado é a falta de professores. A estudante de geologia Vanessa Gomes afirmou que começou ter professores há poucos dias.

“Tínhamos somente dois professores e cerca de quatro aulas por semana. Na semana passada chegou três novos professores, mas ainda falta um para completar o período.

Com essa situação, estamos tendo um acúmulo de matérias muito grande”, ressaltou. O assessor administrativo do reitor, Edmar Isaías de Melo, destacou que a dificuldade é atribuída ao Ministério da Educação (MEC), que não liberou os códigos para contratação a tempo.

“A contratação de docentes requer questões legais e prazos. Se o MEC não liberou no tempo correto até os professores participarem do concurso e assinarem documentos legais para estarem no campus efetivamente demora um prazo”, afirmou.

No local também não há restaurante universitário, nem refeição subsidiada. Na cantina, o almoço custa R$ 12.

Sem estrutura, é difícil e ir até o fim do curso. O índice de formandos é baixo, há muita evasão, segundo os alunos.

“Esse ano formaram apenas nove alunos de agronomia, sete de agrimensura e um de sistemas. Na média, entram 40 alunos por semestre”, disse o estudante de agronomia Otávio Mello.

Muitos dos problemas, como a falta de laboratórios podem ser solucionados quando for concluído o bloco II. A obra está sendo tocada pela empreiteira Alcance Engenharia e Construção, desde março de 2015.

Mas a obra não segue o ritmo que se esperava quando começou. Para o assessor do reitor a obra, a princípio tinha previsão de terminar no final de 2016, mas com as questões do Governo Federal, em termos de investimentos, a obra teve um atraso e deve ser finalizada em 2017.

Patos de MinasTerreno onde será contruído o campus emPatos de MInas (Foto: Reprodução/TV Integração)
A obra para instalação do campus da UFU em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, parou em 2012. Há quase quatro anos a situação do local, que deveria receber aproximadamente 500 estudantes, está praticamente abandonada.

A previsão era construir de um bloco multiuso de quase cinco mil metros quadrados, com custo de cerca de R$ 15 milhões, para os cursos de biotecnologia, engenharia de alimentos e engenharia Eletrônica e de telecomunicações. A construção do campus, que fica localizado na zona rural da cidade foi paralisada em 2012 por conta de uma sentença da justiça federal que julgou procedente na época uma Ação Civil Pública (ACP), movida pelo Ministério Público Federal contra a UFU, a Prefeitura de Patos de Minas e o dono do terreno.

Segundo o procurador da República Onésio Amaral, a ação foi proposta por suspeita de irregularidades no processo de escolha do local. “O Ministério Público tomou conhecimento que a UFU estava procurando um terreno para instalar um novo campus na cidade.

Como existiam vários interessados para doação, porque ele significa na verdade um investimento para quem está realizando essa suposta doação, o MP procurou saber se estaria sendo feita uma licitação. Nós descobrimos que foi feito um processo informal sem critérios”, disse.

Em 2014, depois de uma nova licitação de doadores oferecendo áreas para a UFU, o terreno na região dos “Trinta Paus” foi confirmado pela Comissão de Licitação da Universidade Federal de Uberlândia, mas a empreiteira que iniciou a obra não poderia reassumir o trabalho, porque o contrato venceu. Em seguida foi feita outra licitação e a empreiteira não concordou.

Entrou na justiça e ganhou na semana passada uma liminar para retomar a obra. Nesse impasse, os estudantes dos três cursos utilizam três locais diferentes e distantes para as aulas.

O presidente do Diretório Acadêmico, Guilherme Lemos, disse que a situação é lamentável e espera uma solução rápida. “Esperamos que o campus seja construído ainda esse ano e não atrase mais.

A situação já virou uma novela, que dificultou para nós alunos” desabafou. ItuiutabaObras no campus de Ituiutaba foram retomadas há seis meses (Foto: Reprodução/TV Integração)
As obras para construção do campus em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, foram retomadas depois de seis meses de paralisação.

São três etapas previstas e duas delas com laboratórios de pesquisa devem ser entregues no início do segundo semestre. Atualmente, os laboratórios da instituição também funcionam em salas alugadas.

Anízio Márcio de Faria, assessor da reitoria da UFU, disse que irão desocupar os espaços alugados à medida que a nova obra seja entregue. A outra etapa será em uma área maior de sete mil metros quadrados e prevê a construção de três blocos com laboratórios que atenderão a demanda já existente, futuros e cursos que serão instalados no campus além de um prédio para projetos de pesquisa dos professores.

Um dos prédios já está com grande parte da estrutura pronta e os outros dois devem começar a ser construídos nos próximos meses. A previsão para entrega segundo Anízio de Faria é para julho de 2017.

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