Bonecas são feitas com nós e tranças de tecidos (Foto: Grupo Temas Raciais/ Arquivo Pessoal)
Em Uberaba, a resistência, a tradição e o empoderamento das mulheres negras ganharam a um símbolo: as abayomi. Pelo segundo ano consecutivo será realizada na cidade uma oficina para a produção das bonecas – criadas durante a escravidão por mães que tentavam acalentar as crianças em meio às torturas cometidas nos navios negreiros.
A oficina, agendada para sexta-feira (13), integra a programação de evento realizado pelo Grupo Temas Raciais da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) em celebração o Dia da Abolição da Escravatura.

A integrante do grupo organizador e graduanda de Serviço Social Mércia Gonçalves, destaca que o resgate de tal artesanato ajuda na disseminação da relevância da herança cultural e contribuições dos negros para a sociedade.
“Isso contribui para o fortalecimento da identidade e cultura do povo negro porque temos nossa história rebaixada e deixada de lado a todo tempo e na maioria das vezes nem nós mesmos conhecemos nossas raízes e nos identificamos com ela.

A questão do preconceito infelizmente é uma questão muito maior e nós fazemos o possível para diminuir a cada dia. Povo negro unido é povo negro forte”, disse.

O processo de confecção utiliza apenas de tecidos de fibra de algodão, que são dispostos em nós, tranças ou preenchendo o próprio tecido para dar forma às bonecas. Não é realizada costura para respeitar a diversidade da estética afro sem demarcar características físicas.

Evento de 2015 teve continuidade em escolas(Foto: Grupo Temas Raciais/ Arquivo Pessoal)
Em relação à oficina realizada no ano anterior, Mércia afirmou que o evento ganhou continuidade em escolas uberabenses. O trabalho, segundo ela, auxiliou na compreensão histórica, social e cultural.

“Percebemos nas pessoas participantes da oficina o reconhecimento histórico das bonecas, qual é o real sentido da confecção dessas bonecas e a própria identidade com a história do povo negro”, analisou.
A estudante destacou, ainda, que a segunda edição da oficina visa reforçar a autoafirmação negra na sociedade através do conhecimento repassado para as novas gerações, com abrangência aos diversos povos.

“Acredito que principalmente de reconhecimento da nossa história, que nos é negada na escola, que nos é negada cotidianamente de entender o papel da mulher negra naquela época de escravidão e saber olhar os reflexos nos dias atuais. A questão da identidade também é importante, principalmente para crianças que estão iniciando o processo de se ver e entender no mundo.

E entender que o povo negro teve e tem forte influência na construção do nosso país”, concluiu. InscriçõesA oficina será realizada às 14h de sexta-feira (13), no Centro Educacional da UFTM, na Avenida Frei Paulino, nº30.

As ministrantes da oficina são as estudantes Caroline Ferreira e Mariana Ferreira, de Geografia, Jhosy Oliveira, de Serviço Social.
Para quem se interessar sobre a confecção e papel histórico das bonecas abayomis basta enviar e-mail com nome completo e número do RG para o Grupo Temas Raciais.

Abayomi era feita para acalmar de crianças em navios negreiros (Foto: Grupo Temas Raciais/ Arquivo Pessoal)
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