Passageiros tiveram que disputar acesso aos veículos lotados (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
A paralisação no transporte coletiva de Manaus continua. Na capital, 30% da frota de ônibus do sistema de transporte público está paralisada. Na noite deste sábado (14), passageiros relatam dificuldades para utilizar os coletivos com a interrupção temporária dos serviços.

A redução é motivada em razão de uma paralisação de rodoviários. A categoria cobra reajuste salarial de 20%.

De acordo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), todas as empresas estão operando com 70% dos veículos ao longo deste sábado.
Muitos usuários foram pegos de surpresa e a paralisação tem causado transtornos em vários pontos da capital.

No Terminal de Integração (T5), situado no bairro São José na Zona Leste de Manaus, os passageiros reclamaram de atrasos e redução do número de veículos atendendo as linhas que passam pelo local.
O retorno do trabalho, na Zona Leste, para casa, na Zona Centro-Sul, foi tarefa complicada para vendedora Maria José, de 35 anos.

Após esperar por 40 minutos pelo ônibus da linha 600, a vendedora se deparou com veículo lotado e desistiu de seguir viagem no próximo ônibus que aparecesse.
“Eu não sabia que estava tendo greve.

No fim de semana é mais difícil pegar ônibus, mas hoje não tem sido nada fácil. É revoltante você passar o dia trabalhando e à noite não consegue voltar para casa”, desabafou a vendedora.

  Queila Souza tentava levar filhas para visitarfamiliares (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
A dona de casa Queila Souza, de 33 anos, enfrentou as mesmas dificuldades ao esperar o ônibus da linha 600. Acompanhada do marido e das duas filhas, de 8 anos e 9 meses, ela desistiu de pegar o primeiro ônibus que passou pelo terminal depois de 40 minutos de espera.

O grande número de passageiros dentro do veículo adiou ainda mais o passeio da família.
“Vamos visitar familiares no bairro São Judas, mas está difícil pegar ônibus, pois os que aparecem estão lotados e não é possível entrar com duas crianças.

Vou tentar a sorte no próximo ônibus”, comentou a Queila. Cerca de 30% dos coletivos não saíram dasgaragens (Foto: Ive Rylo/G1 AM)Sem acordoNa sexta-feira (13), rodoviários e o Sinetram participaram de uma audiência na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O sindicato apresentou  propostas para o dissídio coletivo dos colaboradores do transporte coletivo de Manaus. A categoria não chegou a um acordo.

Os trabalhadores pedem reajuste salarial de 20%.
Durante o encontro, o Sinetram propôs aos sindicalistas a suspensão do processo do dissídio por seis meses, para que as empresas possam encontrar alternativas para cobrir os custos do sistema.

Como a proposta foi recusada, o Tribunal decidiu que caso segue para julgamento. O TRT também determinou que em caso de paralisações deve ser mantido 70% da frota de ônibus em circulação nos horários de maior fluxo de passageiros, no período das 5h às 9h e das 16h às 20h.

Nos demais horários 30% dos ônibus continuarão nas ruas.
O superintendente da SMTU, Pedro Carvalho, disse ao G1 que o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM) não comunicou o órgão sobre a paralisação iniciada na manhã deste sábado.

“Eu não fui informado de nada e não sabia que eles iriam parar hoje. Não avisaram a SMTU.

Nossa preocupação é com a segunda-feira porque operar com 70% da frota é problemático”, afirmou Pedro Carvalho.
O G1 não conseguiu contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM).

Empresa Global opera com 70% da frota de ônibus neste sábado e 130 veículos saíram da garagem (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
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