Andreza Souza foi atendida em triagem para atendimento odontológico voluntário (Foto: Jéssica Alves/G1)
Com problemas na dentição, a estudante Andreza Souza, de 17 anos, foi examinada gratuitamente por um dentista durante a ação de triagem promovida pelo programa social “Dentistas do Bem”, que aconteceu simultaneamente em todo o país nesta quinta-feira (28).
A mãe da adolescente, Jessiane Martins, de 34 anos, disse que mesmo sem dinheiro para o ônibus, fez questão de levar a filha para ser atendida. “Pedi dinheiro emprestado para vir, porque não podia perder esta oportunidade”, ressaltou.

Jessiane e a filha Andreza dizem não ter condiçõesde pagar consulta(Foto: Jéssica Alves/G1)
Na avaliação, foi atestado que a menina deverá passar por uma limpeza e uso de aparelho odontológico. A estudante relatou que soube da triagem por meio da internet.

“Logo avisei minha mãe que o projeto ia atender em Macapá, porque estava com dores de dente e infelizmente não temos condições de pagar um tratamento dentário”, disse a menina.
“O acesso à saúde odontológica é muito difícil aqui no Amapá.

Só quem tem mais condições pode pagar por um dentista, e essa não é minha realidade. Não tinha dinheiro nem para o ônibus, mas valeu a pena ir atrás e conseguir trazê-la”, falou a mãe de Andreza.

Ela integra uma triagem com centenas de crianças e adolescentes, de idades entre 11 e 17 anos, e de baixa renda que podem conseguir tratamento odotonlógico gratuito. A iniciativa é da Organização Não-Governamental (ONG) Turma do Bem, através do programa Dentista do Bem, formada por profissionais que realizam o trabalho voluntário no estado.

Cilene Figueiredo diz que esta é a única alternativapara ter atendimento (Foto: Jéssica Alves/G1)
Os dentistas preencheram fichas com dados sobre a saúde bucal e a situação socioeconômica da família dos estudantes atendidos. A lista será encaminhada para a central da ONG que fica em São Paulo, que fará a seleção.

Cerca de 200 jovens foram atendidos durante a ação, disse a coordenadora do projeto no Amapá, Daiz da Silva.
“Escolhemos essa faixa etária que é a transição da infância para a juventude e muitas vezes uma boa saúde bucal é o diferencial para a vida social, emocional e profissional de nossos pacientes.

Nossa ONG escolheu esse dia para chamar a atenção que muitos ainda não tem acesso aos tratamentos odontológicos, que é direito de todos”, reforçou.
A diarista Cilene Figueiredo, de 34 anos, levou o filho Bruno, de 11 anos, para a ação e diz que iniciativas como esta são a única alternativa para as famílias de baixa renda conseguirem tratamento odontológico.

Johnny Ender participa há dois anos do projeto(Foto: Jéssica Alves/G1)
“Não tinha outra opção, porque nos postos de saúde o atendimento é precário, já tive que dormir na fila para tentar marcar uma consulta para meu filho, mas nunca consegui. Ainda bem que existem iniciativas como essas, que nos levam um serviço bem feito”, comemorou.

Participante do projeto há dois, o dentista Johnny Ender, de 30 anos, ressalta que atendeu mais de 20 crianças e adolescentes de baixa renda com serviços de odontologia e diz que se sente realizado em fazer as atividades voluntárias.
“É um diferencial na minha carreira como dentista, porque além do contato com outros voluntários, poder atender de maneira voluntária quem precisa.

É um contato mais humanizado com a realidade de nossa saúde atual. Isso me fez crescer profissional por proporcionar uma oportunidade de mudar a vida de muitas crianças e jovens”, disse.

A coordenadora do programa no Amapá explicou que além dos atendimentos, os jovens receberam kits de higiene bucal para incentivar a correta escovação dos dentes e da língua.
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