Pescadores fizeram ato em frente ao MPF; grupo pede compensação por mortandade de peixes (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Pescadores atingidos com a mortandade de peixes no rio Araguari fizeram um ato em frente à sede do Ministério Público Federal (MPF) no Amapá nesta quinta-feira (12). Eles reclamam que não foram ouvidos pelo Instituto de Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá (Imap), que assinou um Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental (Taca) junto à hidrelétrica Cachoeira Caldeirão. O grupo entregou um ofício no MPF contra o termo.

Em nota, o MPF confirmou que recebeu o ofício do movimento. O grupo foi informado “que todas as reclamações apresentadas até hoje estão sendo apuradas e correm dentro dos prazos legais”, disse a nota.

Grupo entregou documento no MPF, em Macapá(Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
“Ele [o termo] é tendencioso. Beneficia e compensa só a empresa.

Não fomos ouvidos pelo Imap e nem pela hidrelétrica. Queremos compensação financeira, tanques, redes, alevinos, ração e uma fábrica de gelo para a população que está passando necessidade.

Até hoje não tivemos compensação”, declarou o presidente da Associação dos Atingidos por Barragem (Atinba), Moroni Guimarães.
Segundo Moroni, a comunidade enfrenta dificuldades com a falta de peixes para a atividade de pesca no rio Araguari.

“A comunidade está sofrendo, não tem peixe nem para se alimentar. Aquele pescador que morreu em frente a Hidrelétrica Ferreira Gomes Energia foi pescar lá porque não tem peixe no rio”, reclamou o presidente da Atinba.

Sérgio Ferreira pesca há 15 anos no Paredão(Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
De acordo com a associação foram atingidas cerca de 10 mil pessoas que moram nas comunidades Terra Preta, São Tomé, Caldeirão, Paredão, Baixo Araguari, e a sede do município de Ferreira Gomes, a 137 quilômetros de Macapá.
Sérgio Ferreira, de 47 anos, pesca há 15 anos na comunidade do Paredão.

Ele conta que continuam morrendo peixes no rio, mas em quantidades menores.
“Nós fomos prejudicados pela empresa que até agora não deu uma solução.

No período defeso ninguém recebeu e nem pescou. Até a caça não tem mais porque com a hidrelétrica os bichos foram embora.

A gente tem que se manter com farinha, macaxeira e açaí”, disse Ferreira. Valdeli de Oliveira diz que deixou de ser pescador(Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Pescador desde criança, Valdeli de Oliveira, de 47 anos, contou que chegou a pesar duas toneladas de peixes mortos em novembro de 2015, em uma das mortandades.

“Há dois anos venho presenciando grande falta de peixe. Isso prejudicou os moradores de Ferreira, os ribeirinhos e principalmente os pescadores.

Para eu sobreviver com a minha família, passei a ser diarista para os outros. Lembro que cheguei a pesar dois mil quilos na mortandade no dia 13 de novembro, mas tinha muito mais”, lembrou Oliveira.

O G1 tentou contato com o Imap, mas não obteve retorno da instituição até esta publicação. Cachoeira CaldeirãoA hidrelétrica enfrenta questionamentos do MPF e MP desde maio de 2015.

A licença da Cachoeira Caldeirão chegou a ser suspensa no mesmo ano pelo Imap. O órgão determinou a paralisação da obra após rompimento de uma ensecadeira que, segundo a investigação do instituto, resultou na inundação de parte da cidade de Ferreira Gomes.

Mais de 1,4 mil pessoas ficaram fora de casa. As obras foram retomadas meses depois.

Os últimos fatos relacionados à hidrelétrica ocorreram 2016 quando peixes mortos foram encontrados pela primeira vez no perímetro da empresa. O caso é investigado pela Sema e Imap.

 A mortandade mais recente foi no dia 4 de fevereiro.
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