A Polícia Federal (PF) deflagrou na madrugada desta segunda-feira (9) a Operação “Cartas Chilenas” para desarticular uma organização criminosa suspeita de desviar cerca de R$ 15 milhões em recursos públicos da Saúde e Educação no município de Pauini, no interior do Amazonas. Segundo a PF, pessoas ligadas à prefeita municipal são suspeitos das fraudes.
Cerca de 30 policiais federais da Superintendência da PF no Acre dão cumprimento simultâneo a cerca de 49 medidas judiciais em Pauini e Manaus, no Amazonas, e Rio Branco, Boca do Acre, Epitaciolândia e Basiléia, no estado do Acre.

 Segundo a PF no Acre, são três mandados de prisão preventiva, 17 conduções coercitivas e 24 mandados de busca e apreensão e cinco medidas cautelares para afastamento de agentes públicos de seus cargos.
De acordo com as investigações, a organização criminosa desviara recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb); do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), que repassa verbas utilizadas para cuidar da saúde de povos indígenas.

Os investigadores constataram, de acordo cm a PF, que, das 64 licitações investigadas, 44 foram, comprovadamente, fraudadas, denotando um desvio de patrimônio público da ordem de R$ 15 milhões.
Para fraudar as licitações, o grupo criminoso se utilizava de nomes de pessoas e empresas que eram colhidos aleatoriamente e que, sequer tinham conhecimento da licitação ou dos políticos envolvidos.

A organização criminosa preenchia os documentos com nomes aleatórios e publicava a licitação simulando falsos pagamentos. “Durante as investigações, os policiais federais constataram que as ambulâncias que deveriam servir aos cidadãos do município teriam sido desmontadas e suas peças vendidas por um dos secretários da prefeitura”, informou a PF.

A investigação apontou ainda que quase totalidade de médicos que atendem no município e que não estão registrados no Conselho Regional de Medicina (CRM) e, portanto, não poderiam exercer a profissão. “A maioria desses profissionais irregulares foi contratada pela prefeitura, recebendo um salário médio de R$ 20 mil”, diz o órgão.

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