Integrante do MST mostra local onde trabalhadores sem-terra foram mortos pela polícia em Quedas do Iguaçu (PR) (Foto: Reprodução / RPC)
A Polícia Federal (PF) continua nesta quinta-feira (12) a reconstituição do confronto entre policiais militares e integrantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocorrido no dia 7 de abril, em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná. A segunda etapa da simulação está sendo feita com a versão dos sem-terra.
Na ocasião, dois acampados foram mortos e ao menos seis ficaram feridos.

A primeira versão, feita na quarta (11) foi a dos policiais militares que participaram do enfrentamento. A reconstituição, explicou a assessoria de imprensa da PF em Cascavel, onde o caso está sendo investigado, se deve em função das divergências nos depoimentos de envolvidos e de testemunhas.

Os trabalhos iniciados na quarta-feira (11) foram voltados para a versão dos dois policiais ambientais, dos quatro policiais do Choque e dos seguranças particulares da Araupel – empresa de reflorestamento que teve terras ocupadas pelo MST -, que estiveram no confronto. A simulação se estendeu desde as 8h até as 17h.

O acesso à área foi isolada e policiais do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) fazem a segurança na barreira que fica a cerca de 3 km do local.
Acompanham a reconstituição ainda policiais civis, o Ministério Público (MP-PR) – que também investigam o confronto -, advogados dos envolvidos e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Defensoria Pública do Paraná e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Curiosos e a imprensa não têm o acesso permitido pela PF, que com o isolamento também procura evitar possíveis desentendimentos durante o trabalho.
As informações serão incluídas ao inquérito aberto pela Polícia Federal, cujo prazo de conclusão também termina nesta quinta, mas que deverá ser ampliado.

A pedido da Polícia Civil, corpos das vítimas mortas também serão exumados. InvestigaçãoO inquérito a cargo da Polícia Civil foi encaminhado incompleto no dia 15 de abril ao Ministério Público (MP-PR), que o devolveu e solicitou mais informações à delegada Ana Karine Palodetto.

Na época, a responsável pelo caso declarou que, pela falta de depoimentos de alguns sem-terra que foram intimados e não compareceram à delegacia, não foi possível definir de quem partiu o primeiro tiro.
As versões apresentadas até agora são bastante divergentes.

Enquanto um dos sem-terra feridos e detidos no mesmo dia do confronto diz que a polícia foi a primeira a atirar, outro afirma ter partido dos próprios sem-terra o primeiro disparo. Esta é a mesma versão defendida pelo advogado do MST, Claudemir Torrente Lima, o qual acrescenta inclusive que os acampados foram atingidos pelas costas.

O confronto ocorreu na Linha Fazendinha, próximo ao acampamento Dom Tomás Balduíno, quando policiais ambientais foram acionados para atender um suposto princípio de incêndio na área. Quer saber mais notícias da região? Acesse o G1 Oeste e Sudoeste
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