Manifestação durou uma hora, mas rodovia só foi liberada mais 60 minutos depois por causa da limpeza (Foto: Leandro Moreira/G1)
Os dois sentidos da BR-050 foram liberados por volta das 10h desta sexta-feira (15), depois que cerca de 300 manifestantes sem-terra e sem-teto bloquearam a rodovia próxima ao assentamento do campus Glória, que pertence à Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A manifestação começou às 8h e durou cerca de uma hora, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo o advogado da Pastoral da Terra, Igino Marcos, o movimento principal à frente da mobilização foi o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), porém outros movimentos sociais se unem em várias reivindicações.

“É uma manifestação que acontece em vários locais do país. São sete movimentos unidos em prol da campanha Abril Vermelho, reforma agrária, pela democracia e contra o impeachment da presidenta Dilma”, disse.

Um grupo do movimento social que está acampado no campus Glória também foi ao trecho pedir pela resolução do impasse quanto à regularização da área ocupada. De acordo com a assessoria de comunicação da MGO Rodovias, a concessionária monitorou todo o protesto por meio do sistema de videomonitoramento, a PRF foi acionada e compareceu ao local.

Os manifestantes queimaram alguns pneus para fechar a rodovia e a demora na liberação ocorreu em virtude da limpeza das pistas na altura do km 78. A pista no sentido Uberaba a Uberlândia foi a primeira a ser liberada.

Manifestantes queimaram pneus nos dois sentidos(Foto: Fabrício Sangenetto/Arquivo Pessoal)Invasão no campus GlóriaAtualmente, são mais de 15 mil pessoas vivendo na área que já conta com 2. 350 moradias em 63 hectares de terreno localizado às margens da BR-050.

O local foi invadido no início de 2012 por famílias do Movimento Sem Teto do Brasil (MSTB). A estrutura residencial improvisada conta com numeração de casas, comércios instalados e área reservada a equipamentos públicos como escolas e unidade de saúde.

Reintegração X doação de áreaA decisão de reintegração de posse da área em Uberlândia foi reeditada no mês passado obrigando os órgãos envolvidos a cumprir as medidas necessárias. O advogado da Pastoral da Terra, Igino Marcos, garantiu que a reintegração não seria necessária, uma vez que a negociação para a regularização da área está encaminhada e depende de doação da Fazenda Capim Branco.

Moradores do Glória protestaramesta semana naUFU (Foto: MGTV/Repordução)
Segundo ele, a União havia sinalizado que doaria o terreno Capim Branco para a universidade, orçado em R$ 42 milhões, com a condição de que a UFU desistisse da ação de reintegração e na sequência se promovesse um programa de regularização fundiária, onde as famílias pagariam R$ 60 milhões para a universidade e a Prefeitura cuja metade do valor iria para o Município investir na urbanização da área e os outros R$ 30 milhões seriam destinados à UFU a fim de a universidade dar seguimento ao projeto de extensão.
A previsão é de que todo esse processo de negociação do novo terreno fosse finalizado até o próximo mês.

Nesta quarta-feira (14), famílias do MSTB protestaram no prédio da Reitoria da UFU.  
.