Ônibus queimado no Jardim Campo Nobre, na madrugada (Foto: Osvaldo Nóbrega/ TV Morena)
A Polícia Militar (PM) informou, durante coletiva na manhã desta quinta-feira (14), no Parque dos Poderes, em Campo Grande, que a intenção dos suspeitos de ataques, no qual eles incendiaram veículos e ameaçaram de morte uma vítima, tinha a intenção de causar pânico e retaliação.
“Eles confessaram em depoimento que a ordem, vinda do presídio, era causar pânico e não matar pessoas, embora eles tenham jogado gasolina e ameaçado atear fogo em um terceiro motorista. Além disso, a ação foi uma espécie de retaliação, já que alguns presos não gostaram da abordagem realizada no presídio, na noite anterior”, disse ao G1 o tenente-coronel Marcos Paulo Gimenez.

Por conta deste fato, considerado inusitado no estado pelo subcomandante da PM, tenente-coronel Francisco de Assis Ovelar, a inteligência da corporação realiza ações pontuais nas ruas.
“Ainda não sabemos se eles planejam novos ataques, porém estamos em alerta.

Houve ainda tentativa de rebelião em mais 6 unidades penais do estado, mas houve também a contenção em todas elas”, comentou. Drogas, celular e outros objetos que estavam com ossuspeitos (Foto: Divulgação/ BPChoque)
Até o momento, conforme a PM, seis pessoas foram presas.

O tenente explicou que eles “queriam chamar a atenção da população, de forma negativa e cruel”. A corporação ainda pede para as pessoas ligarem no 181 ou 190 diante de qualquer suspeita.

“Um dos homens não tinha nada a ver com os ataques desta madrugada, porém ele era pai de um dos envolvidos e foi flagrado com quantidade de droga. Ainda estamos em busca de um foragido.

Este inclusive é apontado como o mandante dos ataques aqui fora do presídio”, explicou Ovelar, ressaltando que eles agiram na região Sul da cidade. PrisãoUm rapaz de 18 anos confessou o crime nesta madrugada (14).

Ele, o pai de 39 anos, e um jovem de 20 anos foram presos. Três adolescentes foram apreendidos.

O rapaz disse que os ataques foram “a mando”, porém, não esclareceu de quem. Um adolescente de 15 anos teria jogado gasolina no motorista de um terceiro coletivo, feito ameaças e apedrejado o veículo.

PM diz que ações pontuais ocorrendo para evitarnovos ataques (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)
O pai do rapaz que confessou os incêndios no ônibus foi preso em casa. No local, o Batalhão de Choque (BPChoque) encontrou entorpecente.

O terceiro jovem preso e os outros dois adolescentes, entre eles uma adolescente de 15 anos, também teriam envolvimento nos ataques e estariam com droga.
Os seis foram encontrados no Jardim São Conrado, onde houve o apedrejamento.

Um dos incêndios foi no bairro Aero Rancho, onde, segundo testemunhas, os suspeitos mandaram passageiros e condutor descerem, e o outro foi no Jardim Campo Nobre. Neste último caso, o veículo pertence a uma igreja e estava fora da garagem porque seria levado para o conserto.

TumultoOs ataques a ônibus aconteceram após tumulto no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, na noite de quarta-feira (13). Policiais e agentes faziam operação pente-fino quando, de acordo com a Agência Estadual de Administração Penitenciária (Agepen), três detentos não aceitaram ser vistoriados.

Houve confusão e foi preciso usar bomba de lacrimogênio. Um detento ficou ferido e foi encaminhado para atendimento.

No interior, o princípio de rebelião ocorreu em municípios como Dourados, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã e Dois Irmãos do Buriti.
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