Polícia recolheu vestígios de possível inseticida em café (Foto: Polícia Civil de MS / Divulgação)
A investigação sobre o atentado que feriu seis agentes penitenciários na última quarta-feira (20), em Campo Grande, já aponta uma movimentação atípica no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima. Segundo a polícia, nos minutos que antecedem a ingestão de café por parte das vítimas, algumas pessoas entram na cozinha e passam um período no local.
“Nós começamos a análise das imagens e apontamos movimentação atípica na cozinha.

Em certo momento, mais de quatro pessoas ficam um tempo ali e agora vamos verificar exatamente a motivação, já que uma deles inclusive não pertencia a aquele pavilhão”, afirmou ao G1 a delegada Ana Cláudia Medina, responsável pelas investigações.
Assim que assumiu o caso, no início da tarde, ela diz que ouviu dois homens.

O depoimento começou às 14h30 (de MS) e se estendeu até às 22h.
“Temos muita coisa para esclarecer e por isso é necessário ter muita cautela.

Ainda não temos nada específico e por isso nem a possibilidade de reconstituição pode ser descartada”, comentou a delegada.
Ainda conforme Medina, os detentos negaram participação e disseram que “nada saiu da rotina” por parte deles.

“Um dos presos ouvidos atua na cozinha há mais de sete anos, faz salgados e falou que nunca tinha acontecido algo semelhante. O outro também nega envolvimento e, com o andamento da investigação, pretendo interrogá-los novamente”, explicou.

Segundo a delegada, o inquérito pretende apontar quem foi o mandante do crime, possível participação de terceiros, motivo de ser aquela garrafa e naquele corredor, entre outras questões. Aventais com bolso, panos da cozinha e até a roupa usada pelos presos foi encaminhada para perícia.

Um dia antes do fato, um bilhete foi encontrado com um agente, no qual ele recebe ameaças. Bilhete de ameaças a agente penitenciário deixadoem veículo (Foto: Divulgação/Sinsap)Alta médicaCinco dos seis servidores que estavam internados com a suspeita de intoxicação e envenenamento tiveram alta médica.

Até o final desta tarde (22), o último agente penitenciário hospitalizado pode ser liberado. SintomasNo local, o café da manhã é servido às 8h30 (de MS).

Por volta das 9h15, um deles começou a apresentar os primeiros sintomas e, em seguida, os outros também começaram a passar mal. Os servidores tiveram vômito, diarreia, outros sintomas e foram socorridas.

DiagnósticoResponsável pelo Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox), em Campo Grande, o médico Sandro Trindade Benites, foi acionado e atendeu as vítimas. O profissional suspeita de intoxicação por medicamento e envenenamento por herbicida.

“Eles tiveram tremores, sudorese exagerada, chegando molhados no hospital e com sintomas nos olhos, característico do envenenamento por herbicida”, afirmou na ocasião o médico. Ameaças constantesO Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsap-MS) ressaltou que os servidores recebem ameaças constantes e, logo após o episódio dos ônibus queimados, a retaliação está ainda maior, principalmente para aqueles que realizaram curso recente.

Ao todo, 80 homens de Campo Grande e do interior passaram pela reciclagem. No entanto, aqueles que foram feridos atuavam especificamente na segurança da passarela, ainda conforme o sindicato da categoria.

Grupo preso por incêndio em ônibus responde por 9crimes (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)PrisõesApós uma ação de agentes penitenciários em treinamento, houve uma represália por parte de detentos e incêndio em três ônibus na cidade, entre a noite da última quinta-feira (14) e madrugada de sexta (15). A investigação identificou 13 pessoas e diz que a ação foi orquestrada por um detento de 19 anos.

Ele teria ligado para parentes e amigos, pedindo que provocassem pânico e incendiassem os veículos, conforme a polícia. Na ocasião, 71 aparelhos celulares foram recolhidos, além de droga para consumo e comércio no local, chips e objetos ilícitos.

Os envolvidos vão responder por 9 crimes, sendo furto, já que estavam com uma moto com registro na polícia, roubo, pelo fato de levarem aparelhos celulares das vítimas nos coletivos, associação criminosa, receptação dolosa, disparo de arma de fogo, dano qualificado, tráfico de drogas, incêndio doloso e também a tentativa de homicídio, já que atearam gasolina em um motorista e ameaçaram atear fogo.
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